A política ama a traição, mas abomina os traidores

O tempo corre para que pretendentes ao Governo de SC se consolidem

A frase título desta coluna é de autoria de um dos políticos mais importantes do país, falecido em 2004: Leonel de Moura Brizola. Único político da história a ser eleito governador – e também deputado federal – por dois estados diferentes, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, Brizola era conhecido por suas grandes frases de efeito, como esta aí da traição na política.

O que isso tem a ver com…
Uso a frase em momentos que antecedem definições na política de Santa Catarina, notadamente os candidatos a governador pelo MDB e PSD, assim como suas alianças. Em cada legenda há candidato já colocado, que trabalha pelo projeto de poder de sua agremiação partidária, alianças e organiza chapas para as eleições proporcionais. Parece tudo certo, mas não está.

No MDB
Mauro Mariani trabalhou incansavelmente para ser o presidente do partido. Nas duas vezes anteriores que tentou, foi digamos, impedido pela força do governo do Estado, governador LHS, e Eduardo Moreira, hoje também vice-governador, e à época, presidente do PMDB. Mariani queria o partido com candidato a Governador, e LHS e Moreira defenderam a aliança com o PSD.

Agora…
Em outubro de 2015, meses após a morte de LHS, Mariani então foi eleito por unanimidade presidente do PMDB, com foco claro de ser o candidato do partido ao Governo em 2018. O deputado federal vem construindo o projeto desde então, e até já conquistou declarações do futuro governador, atual vice de Raimundo Colombo (PSD), Eduardo Moreira, de que o candidato do MDB é Mariani. De repente, eis que aparece via notas a colunistas, o nome do prefeito de Joinville, Udo Döhler para candidato. Mas não estava tudo certo?

Prévias
Mariani então tem evitado desgastes com Döhler, mas mandou recados diretos, inclusive propondo prévias para a definição do nome do partido ao Governo. Até datas já existem, até 2 de fevereiro, esta sexta-feira, para registro do nome, e 17 de março para a votação. Os aliados de Mauro Mariani já identificaram que, caso Udo registre sua chapa, ficará claro o dedo do atual governador Colombo e seu governo, nas definições do MDB. Quem sabe até de gente do próprio MDB agindo a pelo menos quatro mãos nesta ação. Ou seria traição?

Lealdade
Este grupo ligado a Mariani não cansa de repetir que o deputado federal é partidário, defende a sigla, os companheiros, enquanto Udo não sabe nem o endereço do diretório regional na Capital. Lembram também que lealdade ao partido, aos companheiros e projeto partidário é marca de Mariani, inclusive quando em 2012 o deputado abriu mão de candidatura a Prefeito de Joinville para que Udo fosse o nome do PMDB. Hoje…

E no PSD
Do lado do partido de Raimundo Colombo (por enquanto), o deputado estadual e atual presidente do PSD, Gelson Merisio, também construiu o projeto de poder conversando internamente, e também externamente com possíveis aliados. Bem articulado com seus colegas no parlamento estadual, o deputado que presidiu a Assembleia Legislativa de SC deu passos importantes para a sua base, inclusive sobre não continuar com o MDB como aliado.

Com PP
Merisio chegou a firmar acordo com o principal adversário emedebista, o PP de Esperidião Amin, formalizando uma pré-aliança entre PSD e PP para 2018. À medida que foi ampliando as conversas, e a aliança com PSB, SD, e até PDT, eis que surge uma novidade vinda da Assembleia Legislativa, com aval de Raimundo Colombo: o deputado José Nei Ascari renuncia ao mandato de deputado estadual para assumir como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, no lugar do famoso articulador político, Júlio Garcia. Isso tudo em poucas horas…

Rodrigues
Rapidamente inicia-se uma articulação para lançar o deputado federal João Rodrigues como pré-candidato ao Governo de SC contra o deputado Gelson Merisio. Ambos são aliados em várias campanhas. Por trás disso, Julio Garcia e, não duvidem, Colombo. A coisa acelera, reuniões iniciam com prefeitos, correligionários e… tinha um processo no meio do caminho, no meio do caminho tinha um processo.

STF
João Rodrigues, que responde a processo em fase final no STF, tem a surpresa com uma juiza e um procurador que pedem ao Supremo para que julguem o deputado federal antes que o processo prescreva. Água fria na fervura, o jogo para. Mas só em frente ao público, porque nos bastidores a coisa continua. O agora ex-conselheiro Julio Garcia continua articulando, e acredita em ainda promover essa disputa.

Ao fundo
Como pano de fundo disso tudo está o desejo de grupos ligados à Raimundo Colombo, e até ao vice, Eduardo Moreira, em manter a aliança entre MDB e PSD. As fontes consultadas pela coluna dizem com absoluta convicção que as tentativas de desestabilização continuarão até as convenções. Ou seja, não param agora nem em prévias do MDB e tampouco com resultados de julgamento de João Rodrigues. A cada mês, a pressão aumentará.

Fato
De real mesmo é que Silvio Dreveck renuncia a presidência da Assembleia em favor do emedebista Aldo Schneider, cumprindo o acordo político e claro, figurando como primeiro vice. Que Amin se licencia da presidência do PP para Dreveck, ficando como primeiro vice. Que se Udo se inscrever nas prévias do MDB, Mariani identificará como intromissão de Colombo no partido. Que tanto Merisio quanto Mariani decidiram não continuar a aliança MDB/PSD. E as bases de ambos os partidos concordam. Mas gente poderosa não quer nada disso.

Chapas possíveis
Mesmo assim, com estas “traições”, o PSD trabalha com algumas possibilidades de chapas. Uma delas teria Merisio Governador, Angela Amin de vice, Raimundo Colombo e Paulo Bauer ao Senado, ou seja, incluindo o PSDB na jogada. Outra teria Merisio ao Governo, Ninfo Köenig (PSB) de vice, Raimundo Colombo e Amin ao Senado. Será que são chapas pensadas para tranquilizar o Governador para sua tranquila eleição ao Senado?

Finalizando
Nestes cenários iniciais de 2018, quem está só de olheiro é o PSDB com Paulo Bauer como o pré-candidato. Mas por lá o ninho tucano também flerta com Napoleão Bernardes, prefeito de Blumenau, e até o atual presidente do partido, o deputado estadual Marcos Vieira, que gostaria muito de ter seu nome na majoritária. Dalírio Beber, atual senador, não sabe ainda ao que concorre em 2018. Na corrida sucessória, o PSD avançou mais em alianças, o PSDB está em cima do muro ao que parece, e o MDB ainda briga com seus fantasmas internos, com fomentadores externos, sem indicações claras de alianças. O que fará Eduardo Moreira com a caneta de governador na mão?

E o velho Leonel Brizola lá de cima repetindo a frase…

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