Os bastidores das definições no Estado

As últimas semanas foram de grande intensidade, tanto para os caciques dos partidos que discutiram a formação de alianças, quanto para nós, profissionais da imprensa. Noites sem dormir, encontros para jantares em plena madrugada, essa foi a rotina que busquei acompanhar para passar aos caros leitores, as informações com responsabilidade, rapidez e precisão.

Para ter uma ideia, ontem a chapa que poderia ter sido anunciada teria Napoleão Bernardes (PSDB) ao Governo do Estado, Gelson Merisio (PSD) de vice, Esperidião Amin (Progressistas) e Paulo Bauer (PSDB) ao Senado. Após as definições, setores dos partidos envolvidos se sentiram a vontade para apontar o que chamaram de responsável, pelo fato da ampla aliança não ter sido formalizada. O nome é João Paulo Kleinubing (DEM). “Perdido que estava e sem lugar para pousar, ele provocou a cizânia”, criticou uma liderança.

As críticas contra o demista vão além, ao afirmarem que Kleinubing não queria fechar com Merisio naquele momento e, se aproveitando da amizade com Amin, segundo palavras usadas pela própria fonte, teria convencido o progressista a ser candidato a governador, pois ele disputaria como vice e atrairia outros partidos. Foi quando Amin informou a Merisio que manteria a sua candidatura, o que fez naquele momento que as conversas não seguissem adiante. “Tudo isso porque ele (Kleinubing) estaria fora da majoritária”, disse a fonte.

Seguindo alguns relatos, após ter conseguido afastar Amin do PSD, João Paulo Kleinubing procurou o PSDB para estar ao lado do Progressistas e o DEM, o que de acordo com uma liderança, vendendo a ideia de uma chapa com Esperidião Amin (Progressistas) a governador, ele, Kleinubing, para vice e, as duas vagas para o Senado aos tucanos.

Em contrapartida, o PSDB propôs a aliança com Paulo Bauer ao governo, Kleinubing de vice e, Amin e Napoleão Bernardes ao Senado, o que foi rejeitado por Kleinubing, que teria sido categórico ao afirmar que nunca seria vice de Bauer. “Ele só queria ser vice do Amin e, prometeu buscar o PSD com o Raimundo Colombo. Só que ele não tinha força para isso”, afirmou a fonte.

Por fim, a conclusão de algumas lideranças, é que se o demista tivesse aceitado a proposta da polialiança, o objetivo dos partidos envolvidos naquele momento teria sido alcançado, que era de isolar o MDB.

As últimas horas

A madrugada de sábado (4) para domingo (5), foi de intensas conversas. No caso dos pessedistas, encerrou por volta das 2h30 da manhã no apartamento de Gelson Merisio (PSD). Além do anfitrião, lá estavam o prefeito de Chapecó, Luciano Buligon (PSB), que se tornou um dos protagonistas das conversas.

O ex-governador Raimundo Colombo (PSD), que no final da semana passada retomou as negociações com o Progressistas, e o diretor superintendente do Sebrae, Guilherme Ziguelli, que é o provável secretário de Estado da Fazenda, caso Merisio seja o próximo governador, também permaneceram no local. Antes, o mesmo grupo esteve na casa de Colombo, que também fica na Beira Mar Norte. Todas as cartas haviam sido jogadas e, já havia o sim de Amin para compor com os pessedistas, só restando a resposta de Kleinubing.

Por sua vez, os emedebistas intensificaram a conversa com os tucanos, numa reunião que foi até as 5h da manhã de domingo (5). Já há alguns dias as conversas secretas vinham se intensificando, ao mesmo tempo, em que o PSDB também conversava com o Progressistas, Democratas e PSD. Porém, as tratativas com os emedebistas pareciam estar muito mais adiantadas, tanto, que somente em Chapecó houveram três encontros entre tucanos e lideranças do MDB.

Enquanto as conversas aconteciam, o senador Paulo Bauer pensava, ao mesmo tempo em que nada anunciava para marcar o seu território, se garantindo na majoritária, o que de qualquer forma, não seria aceita pelo tucanato a sua ausência do pleito. Nas últimas horas, voltara com força a possibilidade de fechar com o Progressistas, que através de uma conversa com os tucanos, propôs um prazo até as 14h de ontem para dar uma resposta, porém, a expectativa de uma aliança entre esses partidos, encerrou mais cedo do que era esperado.

O aviso

As horas passavam e ainda durante a madrugada, chegou a informação de que Esperidião Amin (Progressistas) havia batido o martelo com Gelson Merisio (PSD) e, que já trabalhava para levar João Paulo Kleinubing (DEM) para fechar a composição. Alguns tucanos se mostraram irritados, pelo fato de não terem sido comunicados. Foi quando o presidente estadual do PSDB, Marcos Vieira pediu calma e, por volta das 07h30, ligou para Amin. “Esperidião, tendo em vista os fatos e todas as conversas, o PSDB estará seguindo para um outro projeto”, afirmou. A conversa não durou muito, tendo sido encerrada com cortesia, segundo relatos de lideranças que estavam próximas.

Sabendo da decisão dos tucanos e, principalmente de Amin, João Paulo Kleinubing ligou para o governador Eduardo Pinho Moreira (MDB), e depois para Mauro Mariani (MDB), propondo ser o vice na chapa emedebista. Em resposta, ouviu que não havia mais espaço na majoritária, pois, o PSDB já havia acenado com o sim e, mesmo sem ter concluído as negociações, não poderiam arriscar faltando poucas horas para encerrar o prazo para a formalização das composições.

Porém, uma alternativa foi sugerida por Mariani, de que Kleinubing disputasse a reeleição a deputado federal, numa ampla coligação na proporcional, o que não foi aceito.

Enquanto isso na sede do PSD, Merisio, Amin, Silvio Dreveck (Progressistas), Luciano Buligon (PSB), Paulinho Bornhausen (PSB), Raimundo Colombo (PSD) entre outras lideranças conversavam e, esperavam uma resposta de Kleinubing que enquanto conversava com outros partidos, pedia tempo para pensar.

As definições

Enquanto o presidente estadual do PSDB, Marcos Vieira, liderava o encontro da executiva no Andrade Hotel, em Florianópolis. O senador Paulo Bauer recebia em sua residência, o ex-prefeito de Blumenau Napoleão Bernardes, o deputado Leonel Pavan, entre outras lideranças tucanas.

Ao final da manhã, chegou à residência uma comitiva emedebista, liderada por Mauro Mariani, acompanhado do atual governador Eduardo Pinho Moreira, senador Dário Berger, deputado Valdir Cobalchini e o republicano Jorginho Mello, candidato ao Senado coligado com o MDB.

Na sequência se juntaram a eles, Vieira que havia encerrado a reunião do partido, e o senador Dalírio Beber (PSDB), figura atuante nas conversações. Naquele momento, uma fala do presidente tucano na reunião com a executiva, deixara no ar a possibilidade de recuo do PSDB. “Respeitem a decisão que será tomada”, disse no fechamento do encontro.

A partir daquele momento, as conversas se intensificaram e, Bauer o anfitrião, anunciou que declinava da candidatura a governador e que iria disputar a reeleição ao Senado. Além disso, destacou que o gesto foi em prol da unidade do PSDB.

O acerto entre tucanos e emedebistas chegou a sede do PSD, que tinha na sala de reuniões, Gelson Merisio (PSD), Esperidião Amin (Progressistas), Silvio Dreveck presidente estadual do Progressistas, Luciano Buligon (PSB), Paulinho Bornhausen (PSB), Raimundo Colombo (PSD), o secretário geral do Progressistas Aldo Rosa, entre outras lideranças.

Neste momento, Amin fazia um relato de todas as movimentações para a formação de uma forte coligação para o pleito. Eloquente, prendeu a atenção de todos às suas palavras, inclusive, afirmando que sempre teve a certeza de que o PSDB não teria candidato a governador.

Eram por volta das 14h50, quando na sequência, Amin passou a fala para Dreveck, que fez o anúncio. “Nós definitivamente escolhemos o PSD para estar junto conosco”, e foi quase interrompido pela comemoração dos presentes. Neste momento o fotografo Luis Debiasi entrou na sala e Buligon puxou as palmas.

Amin esticou a mão para Merisio que se cumprimentaram sacramentando ali, a união de pessedistas e progressistas. Em meio ao momento, Buligon e Merisio foram para uma sala, onde se abraçaram e choraram. “Obrigado pelo apoio”, disse o pessedista ao prefeito de Chapecó.

No último momento

Com a indefinição de João Paulo Kleinubing (DEM), Esperidião Amin (Progressistas) saiu da sede do PSD e ligou para ele, o chamando para uma conversa. Amin argumentou e convenceu o demista a aceitar a aliança. Logo após em um local neutro, Kleinubing se encontrou com Gelson Merisio, Luciano Buligon e com o prefeito de Palhoça, Camilo Martins (PSD). “Estamos juntos. Vocês sabem que eu tenho uma ligação forte com o Amin”, afirmou. E lá foram eles para a sede pessedista, onde houve o anúncio e as fotos.

Fator Ana Amélia

Segundo uma fonte, Esperidião Amin (Progressistas) chegou a contar com o fato de sua amiga, Ana Amélia Lemos (Progressistas), ter aceitado ser vice de Geraldo Alckmin (PSDB) na disputa à Presidência da República. “O Amin pensou que o PSDB daria a contrapartida, e o apoiaria aqui no estado. A reaproximação dele com o Gelson (Merisio), gerou um certo ciúme no PSDB e ele sabia que geraria isso. Como não houve um avanço, ele pode ter se frustrado”, me disse uma fonte.

Apoio a Alckmin

Conforme adiantei, um dos principais pontos que levaram ao fechamento da aliança MDB e PSDB, foi o acordo para que os emedebistas apoiem ao presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB). Quando divulguei, algumas lideranças ligaram para questionar o acordo, já que o MDB tem o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, como o seu candidato a presidente. Porém, a resposta dos emedebistas questionados, é que o partido aqui no estado não tem a obrigação de apoiar Meirelles e, que em outros estados o partido também não deverá apoiar o ex-ministro. É no mínimo sui generis essa definição do MDB.

Jogada de mestre

A base do MDB estava com grande dificuldade de apoiar a definição de ter em Jorginho Mello (PR), o seu candidato ao Senado. Não por serem contra o republicano, mas, sim, pelo fato do MDB não ter candidato. Foi aí que o candidato a governador Mauro Mariani, teve a ideia de convidar a viúva de Luiz Henrique da Silveira, Ivete Appel da Silveira, para a primeira suplência de Mello. Foi a forma encontrada para atrair, através da relação sentimental do partido com a família de LHS, o apoio e votos ao republicano.

 O emissário

Uma das missões dadas ao prefeito de Chapecó, Luciano Buligon (PSB), foi de ir no sábado (4) até Joinville. Na residência do empresário e vereador Ninfo König (PSB), Buligon que foi recebido pelo colega de partido e sua família, reiterou o convite para que König fosse o vice. Com a demora de João Paulo Kleinubing (DEM) e a simpatia de Merisio pelo empresário, poderia naquele momento ter sido fechada a questão do vice, até mesmo de forma antecipada. Porém, König relatou que em virtude de seus negócios, que declinaria do convite, mas se comprometeu a ajudar durante a campanha de Merisio. König e familiares chegaram a se emocionar com o chamado, do qual ele preferiu declinar.

Mentiras

Um importante cacique me disse o seguinte durante o dia de ontem: “Nos últimos dias, nós tivemos um verdadeiro jogo de mentira. Um mentia para o outro”, afirmou.

Kiko será o vice

O ex-prefeito de São Domingos no Oeste, Alcimar de Oliveira, o Kiko, é o candidato a vice na chapa de Décio Lima ao Governo do Estado. Em chapa pura, o Partido dos Trabalhadores também terá a ex-ministra e senadora, Ideli Salvatti, e o ex-desembargador Lédio Rosa de Andrade, ao Senado. Tanto Lima quanto Kiko, foram prefeitos em dois mandatos. Ele passou a morar em Chapecó por questões profissionais, mas dependendo do desempenho na eleição, poderá aparecer como uma possibilidade para a próxima eleição municipal.

Atenção

Uma disputa que chamará a atenção, é a do deputado federal Pedro Uczai (PT) que busca se reeleger, contra o ex-deputado Cláudio Vignatti (PT) que tentará retornar à Câmara. Fontes relatam que a relação que eles tinham abalou, passando a ser amistosa. Tem petista que teme perder uma vaga em Brasília, devido a disputa fratricida.

Nem tão coadjuvante

O Partido dos Trabalhadores há tempos não entrava numa eleição estadual, com tamanha musculatura. É claro que o capital eleitoral do partido e o fato de estar mais uma vez isolado em chapa pura, o deixam mais enfraquecido em relação as duas maiores coligações. Porém, é de destacar que o partido através do candidato Décio Lima (PT), vai buscar entre 12% e 15% do eleitorado, o que poderá fazer a diferença no segundo turno. Além disso, tem em Ideli Salvatti, não somente a sua candidata ao Senado, mas, o segundo voto da esquerda catarinense.

A força de Blumenau

Impressionante a força de Blumenau nas composições das três principais candidaturas. Três ex-prefeitos aparecem no páreo. Décio Lima (PT) é candidato a governador, enquanto que Napoleão Bernardes (PSDB) e João Paulo Kleinubing (DEM) disputam como candidatos a vice. Será que aproveitarão para medir força para saber quem está mais forte dentro de casa?

Oeste se destaca

Há anos que o Oeste não se destacava na majoritária com mais de um representante. Gelson Merisio (PSD) candidato ao Governo do Estado, Alcimar de Oliveira, o Kiko (PT) e Daniela Reinehr (PSL) como vice. Ao senado, tem Jorginho Mello (PR). Fora os políticos já conhecidos, chama a atenção a disposição da advogada de Chapecó, Daniela Reinehr, que em sua primeira eleição já disputará como candidata a vice-governadora.

Horário eleitoral

Ao final da formação das composições, o tempo no horário eleitoral está sendo contabilizado por todos. Mauro Mariani (MDB) terá o maior tempo, com 4 minutos. Será seguido por Gelson Merisio (PSD) com 3 minutos e 30 segundos. Décio Lima (PT) somou 1 minuto e meio, enquanto que Leonel Camasão (PSOL), Ingrid Assis (PSTU), Coronel Moisés da Silva (PSL), Rogério Portanova (REDE) e Ângelo Casto (PCO) terão menos de 15 segundos.

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