O movimento de Napoleão

A anunciada renúncia de Napoleão Bernardes (PSDB), ontem, é o movimento do jovem prefeito de Blumenau que está enxergando o caminho mais curto para chegar ao governo do Estado. Num partido que tem candidato a presidente da república e uma das maiores densidades eleitorais em Santa Catarina, combinado à fragilidade do teto do seu principal candidato (Paulo Bauer), nada mais justo que ele tenha tomado tal atitude. Com a decisão revela ter pressa em firmar o nome num cenário político carente de lideranças. O movimento de Bernardes tem tudo de audácia, característica do político que está faltando no cenário atual. Se tivesse recuado poderia ter sepultado a chance de ser candidato a governador. Como fez ontem, agora é no mínimo candidato ao Senado.

Renúncia
Prefeito reeleito de Blumenau, Napoleão Bernardes fez um pronunciamento ontem na Câmara de Vereadores para dizer que vai renunciar o restante do segundo mandato de prefeito para concorrer às eleições de outubro. Abre mão de dois anos e nove meses de mandato.

No PSDB
O gesto de Napoleão Bernardes de se atirar de cabeça na eleição de 2018 está carregado de intuição. O principal deles é que aquela denúncia dos R$ 11,5 milhões contra Paulo Bauer pode fragilizar o senador na disputa. Se Bauer de fato sofrer com isso, Napoleão entra no vácuo.

Externo
Há de se considerar que o prefeito de Joinville, Udo Döhler (PMDB) desistiu de disputar a eleição estadual. Isso criou um vácuo geográfico à região norte do Estado, onde está Napoleão. Há de se considerar ainda que outro blumenauense, João Paulo Kleinubing, fez a opção de voo solo, indo para o DEM e isso foi lançar-se num mar de incertezas. Quer dizer, são muitos movimentos que ajudaram Napoleão decidir pela renúncia

Noivaram
Com a presença do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, ontem, o partido fez uma espécie de pacto eleitoral com o PSD. Assim os trabalhistas liderados por Manoel Dias se declaram eleitores de Gelson Merísio, onde quer que ele esteja. O ato teve a presença de vários deputados levados por Merísio. São parlamentares de siglas como o PP. É do time que Merísio está formando.

Os “PSDs”
Aquele cenário todo animado, do PDT sintonizado com o PSD de Gelson Merísio, visto ontem na troca de juras de fidelidade em ato na capital, não combina em nada com o PSD de Raimundo Colombo. Aliás, Colombo teria sido desaconselhado a comparecer ao ato. O PSD com quem o PDT “noivou” ontem é o de Merísio.

Enquadrada
Característica do PDT, ontem de novo ficou evidente como Manoel Dias lidera com mão de ferro o partido. A prefeita de Bombinhas, Ana Paula da Silva, que em outras ocasiões ensaiou apoiar primeiro João Rodrigues e depois inclusive o PMDB, teve que ouvir a decisão trabalhista de que o PDT está com Merísio e ponto final.

Temmer candidato
A medida que crescem as especulações de que o presidente da república Michel Temmer poder ser candidato à presidência da república o cenário fica ainda mais incerto em alguns partidos como é o caso do PMDB.

Quem paga a multa
Assim como a procuradoria do município de Criciúma já havia anunciado, a Comissão de Direito Tributário da OAB concluiu que não havia amparo legal obrigando a prefeitura a conceder desconto de 20 por cento para quem pagou IPTU em cota única, como ocorria em anos anteriores. Neste vai e vem de interpretações algumas pessoas deixaram de pagar aguardando uma possível interpretação favorável ao desconto. E essas pessoas foram induzidas a pensar assim por discursos políticos na Câmara de Vereadores e de advogados. Ontem membros do governo provocavam: “e agora quem vai pagar o prejuízo de quem não pagou?”.

FRASE DO DIA
“O processo eleitoral deste ano vai ser muito parecido com o de 1989. Naquela ocasião nos tivemos cerca de 15 ou 16 candidaturas e com isso quem tiver 15 a 20 por cento vai para o segundo turno. Então nos vamos para um jogo muito aberto. Por isso vejo o Ciro Gomes com muita segurança no segundo turno ”.
Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, em entrevista ontem na capital do Estado.

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