Indústria catarinense cobra investimentos de R$ 5,1 bi ao ano para a infraestrutura no estado

A Federação das Indústrias de Santa Catarina vai apertar o cerco aos parlamentares federais e estaduais catarinenses, Governo do Estado, Governo Federal, notadamente em ano que a eleição decidirá rumos para o estado. O empresariado não brinca em serviço, e em sua Agenda para a Indústria lançada na manhã desta segunda-feira em Florianópolis, apresenta estudos e dados concretos.

Santa Catarina demanda, por ano, até 2021, investimento de R$ 5,1 bilhões, entre recursos federais e estaduais, para manter e ampliar a infraestrutura de transporte nos modais rodoviário (R$ 2,85 bilhões), ferroviário (R$ 1,8 bilhão), aeroviário (R$ 95,5 milhões) e aquaviário (R$ 342,6 milhões), mostra a Agenda Estratégica da Indústria para a Infraestrutura de Transporte e a Logística Catarinense.

Esforço maior do que tem feito o Estado

Glauco Côrte, presidente da FIESC, cobra mais investimentos e ação das lideranças – foto Ascom/Fiesc

O presidente da entidade, Glauco José Côrte, destacou que as demandas são grandes e o Estado terá que fazer um esforço, nos próximos anos, maior do que tem feito até agora para melhorar a infraestrutura de transporte, colocando-a em condições compatíveis com a força da economia e a contribuição que o Estado dá ao desenvolvimento do País.

“Sabemos que o transporte é fator essencial para a melhoria da competitividade de todos os atores do sistema produtivo de qualquer atividade. Os custos logísticos representam uma parcela importante do custo da indústria. Por falta de recursos há uma inibição grande da diversificação da nossa matriz de transporte”, avaliou.

Em Santa Catarina, o modal rodoviário responde por 68,7% da matriz de transporte, seguido por aquaviário (18,6%), ferroviário (9,7%), dutoviário (2,9%) e aeroviário (0,1%). “A diversificação é importante para a economia desconcentrada que temos em Santa Catarina, bem distribuída, com indústria em todo o Estado e o escoamento de sua produção necessita de uma diversificação maior do que temos atualmente”, disse Côrte, lembrando que o governo estadual, por exemplo, tem feito um grande esforço, com investimento de cerca de R$ 5 bilhões nas estradas estaduais.

“Mas é claramente insuficiente para as necessidades que temos de ampliação e manutenção das rodovias. Analisamos quase 2,5 mil quilômetros (trechos estaduais) e grande parte disso, que é um patrimônio de Santa Catarina, está também em condições precárias, precisa de mais investimentos”, completou.

Acidentes e perigo em rodovias estaduais e federais
Em sua apresentação, o presidente da FIESC destacou ainda que o Estado tem 14 trechos de rodovias federais entre os cem considerados mais perigosos do País. Em 2016, foram registrados 10,6 mil acidentes nas estradas federais no Estado. Em média, 29 acidentes por dia. 450 pessoas perderam a vida e 9,4 mil ficaram feridas. No mesmo ano, nas rodovias estaduais, foram registrados 8.380 acidentes. 205 pessoas perderam a vida e 4,9 mil ficaram feridas. Segundo o IPEA, no Brasil, estima-se que os custos totais dos acidentes sejam de R$ 40 bilhões por ano.

“Sempre temos essa visão humanista da questão da infraestrutura, mas não podemos esquecer os prejuízos em relação à redução e à perda de competitividade da indústria e da economia como um todo. Aí está a razão do esforço que a FIESC tem feito para a construção e a discussão dessa agenda e que necessita da mobilização conjunta dos governos federal e estadual, parlamentares e lideranças para enfrentarmos e superarmos esse desafio”, concluiu Côrte.

PPPs e concessões são propostas
O presidente da Câmara de Assuntos de Transporte e Logística da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, destacou que pela dificuldade dos investimentos por parte dos governos estadual e federal, as alternativas são as concessões ou parcerias público-privadas.

“Para que isso ocorra, a taxa de retorno tem que ser atrativa, tem que ter segurança jurídica nos contratos, precisamos de agências reguladoras independentes e ter o equilíbrio entre os interesses do usuário e da concessionária. O pedágio nunca pode ser um ônus para o cidadão. Tem que ser visto como um benefício. É preferível pagar um pouco, mas ter uma rodovia mais segura, em que se possa transportar com mais celeridade os produtos”, disse.

Aguiar também apresentou as principais propostas da entidade para a infraestrutura do Estado e defendeu a realização de um planejamento integrado, a realização de um estudo de viabilidade de um sistema intermodal para Santa Catarina, considerando a infraestrutura atual, os projetos ferroviários, a expansão da infraestrutura portuária e a cabotagem.

Ele também lembrou da importância de atualizar o Plano Aeroviário catarinense (o atual é de 1991) e definir uma política estadual para o transporte aéreo de cargas e passageiros. No caso das ferrovias, é necessária a conclusão dos contornos de Joinville, São Francisco do Sul e Jaraguá do Sul, além da conclusão dos projetos para as ferrovias Litorânea e Leste-Oeste.

Manutenções das rodovias e investimentos
Conforme o trabalho da FIESC, para ampliar a capacidade das estradas e para realizar as manutenções de rotina são necessários R$ R$ 2,85 bilhões por ano, até 2021, sendo R$ 1,55 bilhão nos trechos federais e R$ 1,3 bilhão nos estaduais. Esses investimentos são para aplicar em rodovias que já existem, mas em sua maioria opera acima da capacidade ou em condições precárias.

Dentre as propostas que a instituição faz para o segmento rodoviário estão a garantia de investimentos no Programa de Conservação, Restauração e Manutenção das rodovias (CREMA, do governo federal) para as BRs 470, 282, 153, 158 e 163. Além disso, a instituição defende recursos para duplicação e pavimentação das BRs 470, 280 e 285.

No encontro, também foi destacada a BR-282 e a importância de realizar um estudo para a logística da cadeia de suprimento e distribuição da indústria do Oeste catarinense, com eixos de suprimentos e distribuição, alternativas de suprimento de grãos e armazenagem. Para as estradas estaduais, a sugestão é criar um programa, com pequenas concessões, para garantir a manutenção e restauração.

Acompanhamento das obras
O sistema Monitora FIESC acompanha 60 obras federais e estaduais de transporte no Estado que somam 7 bilhões em investimentos. Desse total, quase 60% estão com o prazo expirado ou com o andamento comprometido. No caso das rodovias, a entidade acompanha 36 obras (R$ 5,4 bilhões), das quais, 58,4% têm o prazo expirado ou o andamento comprometido.

No Orçamento Geral da União para o período de 2007 a 2016 estavam previstos R$ 11,9 bilhões para investimento em obras de transporte em Santa Catarina. Contudo, foram efetivamente executados R$ 5,7 bilhões, sendo que 51 % desse total foram aplicados na duplicação da BR-101 Sul.

Ronaldo Carioni Barbosa, superintendente do DNIT em Santa Catarina, fez um balanço das principais obras que o órgão tem em andamento no Estado, com destaque para a BR 101 (Sul) 282, 285, 158, 163, 280 e 470. Segundo ele, a falta de recursos é o principal desafio. “O DNIT tem profissionais capacitados para fazer obras. Não podemos aceitar essa quantidade ínfima de recursos”, disse.

Custos logísticos
No evento foi apresentada pesquisa que revela que o custo logístico em Santa Catarina segue acima da média nacional. O trabalho, feito pela FIESC em parceria com a UFSC, mostra que o custo logístico representa 13% do faturamento da empresa.

Estudo sobre custos logísticos brasileiros, feito pela Fundação Dom Cabral (2015), aponta que em nível nacional esse valor é de 11,73%. A pesquisa da Federação foi realizada em 2017, com a participação de 49 empresas que respondem por 19% do PIB industrial do Estado.

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