Governo catarinense estuda o prejuízo provocado pela greve, Alckmin garante a autonomia do PSDB-SC, HC de João Rodrigues será julgado em junho entre outros destaques

Pinho Moreira anunciou o fim do diálogo e inicio do desbloqueio das rodovias.

Foto: Jeferson Baldo

O Governo Federal terá que socorrer os Estados, após uma greve que atendeu as reivindicações dos caminhoneiros, mas a um custo muito alto para a sociedade. Não digo que a categoria não merecia ser atendida, porém, o processo traumático causará danos no curto e médio prazo.

De acordo com dados apresentados pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), de 905 indústrias pesquisadas, 70% foram afetadas. Quase a metade estimam prejuízos na casa dos 20% de seus faturamentos mensais, sendo que 30% das grandes indústrias estão totalmente paralisadas, e 86% muito, ou totalmente afetadas. Outro fator de grande preocupação é que 31% das empresas estudam a possibilidade de conceder férias coletivas, enquanto que 13% já avaliam até mesmo a possibilidade de demissões.

Todo esse cenário ainda pode ser pior, afetando ainda mais a economia de Santa Catarina. A preocupação é tão grande, que ontem o governador Eduardo Pinho Moreira (MDB) foi chamado pelos líderes de bancada, para uma reunião na Assembleia Legislativa, que contou com as entidades empresariais, a exemplo da Fiesc e Fecomércio. Aceitou o convite e foi cobrado para que realizasse ações mais contundentes para acabar com uma paralisação que perdeu o sentido de continuar existindo, após o Governo Federal ter atendido as reivindicações da categoria.

Pinho Moreira explicou que já havia anunciado ao final da manhã, que ontem era o último dia de paralisação sem uma ação mais contundente das forças de segurança. Que a partir de agora, todas as medidas serão tomadas para acabar com os bloqueios. Além disso, aproveitou para pedir às lideranças empresariais que estavam no encontro, para se manifestarem pelo fim da greve. “Senhores, eu preciso que os senhores se manifestem. Qual é a opinião dos senhores sobre o que está acontecendo?”, questionou o governador.

Além disso, acrescentou que a economia catarinense sofrerá um abalo muito forte e, que é o momento de não ter mais apoio à continuidade das paralisações. O governo começa a fazer conta e, um exemplo são as perdas que devem ser registradas com a falta de abastecimento, já que o Estado arrecada R$ 300 milhões mensais através do ICMS cobrado do combustível. Um economista me disse que a projeção de perda nesse tributo é de R$ 100 milhões, aumentando a conta do prejuízo total que deverá chegar a casa do bilhão.

Uma fonte relatou que o pagamento de dívidas, incluindo no setor da Saúde pode ser prejudicada. Além disso, é preciso ver de que forma o governo manterá os salários dos servidores em dia, situação que dentro do governo, é um assunto delicado, muito embora, o secretário de Estado da Fazenda, Paulo Eli, tenha me dito ontem que é difícil que ocorram atrasos nos vencimentos.

Porém, ele se negou a falar em números, pois somente será conhecido o rombo nos cofres do Estado nas próximas arrecadações, de junho e julho. Portanto, caberá ao governo de Pinho Moreira, cobrar junto ao Governo Federal a fatura de uma conta que é de responsabilidade da União.

Abalou

Pergunta ouvida em uma roda seleta na Assembleia Legislativa: “afinal, o Eduardo Moreira é amigo ou inimigo do Michel Temer? Porque quando foi para receber o presidente aqui para liberar recursos, era amigo, posou para fotos. Agora, com a crise interminável massacrando a população, o governador critica o colega de partido que comanda o país”. A conversa me foi confirmada por duas lideranças. Ao questionar um governista sobre a relação de Pinho Moreira e Temer, ouvi: “Pode ser que não seja conveniente mais”.

Aproximação de Pinho Moreira com Temer pode estar abalada.

Redução do ICMS

O deputado estadual João Amin (Progressistas), apresentou uma indicação ao Governo do Estado, recomendando a imediata redução do índice do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dos combustíveis. Como forma de compensação, o parlamentar sugere a redução da estrutura governamental, especialmente com a extinção das Agências de Desenvolvimento Regionais. “Essas agências há muito não tem um papel relevante na administração pública”, afirmou.

Atuação

A Polícia Militar acompanhada do Ministério Público estadual e demais autoridades, tem ido aos locais de paralisação. Vale informar que Santa Catarina proporcionalmente, foi o Estado com o maior número de protestos de todo o país. Ontem as operações começaram por Biguaçu, onde mais da metade dos caminhoneiros saíram sob a proteção policial. No Oeste também já começaram as ações para acabar com as manifestações.

Caminhoneiro desabafa

“Eu sou caminhoneiro e as exigências dos grevistas já foram atendidas, mas agora estão aparecendo líderes de todos os lados. Se na pauta inicial nossa classe tivesse pedido a redução da gasolina e do álcool também, o ‘desgoverno’ teria atendido. Agora todo mundo quer tirar uma casquinha do governo. Essa é a minha opinião pessoal – Régis Knorst Ludwig – Caminhoneiro.

João Rodrigues

A primeira turma do Supremo Tribunal Federal, julgará eletronicamente o pedido de Habeas Corpus apresentado pela defesa do deputado federal, João Rodrigues (PSD), que está preso em Brasília. Sob a relatoria do ministro Celso de Mello, o pedido será avaliado e votado em julgamento que terá início no dia 08 de junho e encerrará no dia 14 do mesmo mês. Já quanto aos embargos, até o momento não houve qualquer movimentação. A defesa de Rodrigues se baseia numa decisão do ministro Edson Fachin, que concedeu um HC, seguindo a linha do artigo 89, que determina para a configuração de um crime, que teria que haver um dolo específico. “Se assemelha em muito ao caso do deputado João”, afirmou um dos advogados.

Alckmin

O presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), concedeu entrevista ontem de manhã ao programa Estúdio Condá. Raquel Lang e eu, o questionamos sobre os principais temas de interesse do país. Alckmin não fugiu das perguntas, respondendo, por exemplo, sobre as questões morais envolvendo o PSDB, nos casos de Aécio Neves e do ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, preso no chamado “mensalão tucano”. Para Alckmin, nenhum partido está imune as investigações e decisões da justiça. Defendeu que seja cumprida a lei, e direcionou críticas ao PT. “A diferença é que os nossos adversários vão fazer acampamento em frente a penitenciária. Tentam desmoralizar as instituições e desrespeitam o judiciário. Quem levou o caos o país foi o PT”, atacou.

Desenvolvimento

Geraldo Alckmin (PSDB) entende que é preciso desburocratizar o país, e desonerar quem gera emprego. Prometeu caso seja eleito, realizar reformas a exemplo da política, tributária com a criação do imposto único, o IVA, e de Estado, tudo isso através do convencimento da população para influenciar o Congresso Nacional. Defende também a reforma da Previdência, e afirmou que o Estado precisa ser mínimo, buscando parcerias na iniciativa privada para investimentos em infraestrutura e logística, para a criação imediata de postos de trabalho. Portanto, Alckmin irá para a eleição com um discurso genuinamente liberal, não fugindo de suas origens ao propor que o país diminua o mostrengo que se criou com inúmeras estatais. O discurso é interessante e, bem que poderia ser repetido pelos demais pré-candidatos como um verdadeiro pacto para tirar o Brasil do travamento causado pela falta de desenvolvimento. O país está inchado, atolado em gastos na atividade meio, fazendo com que não se tenha dinheiro para o seu verdadeiro sentido de ser, que é a atividade fim, em suma, o atendimento à população.

Pesquisas

Questionamos Geraldo Alckmin (PSDB) a respeito das pesquisas apresentadas até o momento, nas quais ele não passa dos dois dígitos. Comparou o seu desempenho em relação a Jair Bolsonaro (PSL), recordando que Celso Russomano (Progressistas) na disputa à Prefeitura de São Paulo, tinha 30% nas pesquisas contra 4% de João Dória (PSDB), que acabou virando e vencendo ainda no primeiro turno. “A gente não pode dar bola para esse negócio de pesquisa, mas, sim, com o que a população está preocupada e o seu dia a dia”, destacou. O certo, é que os tucanos já definiram que Bolsonaro será o seu principal adversário.

PSDB em SC

Questionado se a decisão do PSDB em Santa Catarina quanto a lançar um candidato próprio, ou compor uma aliança, será definido localmente ou com interferência nacional. O presidenciável Geraldo Alckmin respondeu que o PSDB estadual tem autonomia para tomar a decisão e buscar o melhor formato. Admitiu que teve com Eduardo Pinho Moreira (MDB) com quem tem uma amizade de anos, porém, destacou que o senador Paulo Bauer é o candidato natural de seu partido, a quem considerou preparado.

Bauer recebeu a bênção de Alckmin.

Conversas

Quanto as conversas com os demais partidos, o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) destacou que os tucanos catarinenses tem a humildade de conversar, e que Marcos Vieira como presidente estadual do partido, tem dialogado com todos. Lembrou de lideranças como Raimundo Colombo (PSD), Esperidião Amin (Progressistas) e Ângela Amin (Progressistas), que deverão estar no cenário, a exemplo de outros nomes. Alckmin considerou natural uma candidatura de Paulo Bauer ao Governo do Estado. “Ele já foi senador, conhece o Estado e está preparado. Estamos conversando com outras lideranças para ter uma aliança em torno de um programa. Mas será Santa Catarina que vai decidir o seu destino”, afirmou, acabando com especulações.

Marina Silva na Condá

Seguindo a série de entrevistas com os pré-candidatos à Presidência da República, o programa Estúdio Condá terá hoje a participação da pré-candidata Marina Silva (REDE). O programa inicia as 08h50, porém, a participação da presidenciável terá início às 09h25. O programa Estúdio Condá apresentado por Raquel Lang, e que mais uma vez contará com a minha participação, a exemplo das outras entrevistas com presidenciáveis, já entrevistou os seguintes postulantes ao Palácio do Planalto: Jair Bolsonaro (PSL), Álvaro Dias (Podemos), João Amoêdo (Novo), Aldo Rebelo (Solidariedade), Geraldo Alckmin (PSDB) e o ex-presidente Lula (PT), que devido a prisão, deixou de ser considerado pré-candidato. Outras entrevistas estão sendo ajustadas.

Troca na Celesc

O vereador de Chapecó Aderbal Pedroso (PSD), que estava ocupando o cargo de gerente regional da Celesc, pediu exoneração da função. Segundo ele, não há sentido ficar num governo que terá um candidato que disputará contra o seu partido. Para o seu lugar, assume na próxima segunda-feira, o responsável pelo escritório da estatal em Coronel Freitas, Adelcir Luiz de Santi, que é suplente de vereador pelo MDB. A definição pegou de surpresa lideranças emedebistas de Chapecó, que haviam indicado Clóbis Cassaro para o cargo.

Responsabilidade

A Federação Catarinense de Municípios (FECAM) redigiu ontem, uma nota pedindo responsabilidade de todas as partes para que a sociedade possa voltar à normalidade, para a volta da estabilidade econômica do Estado.

“Me ouça de segunda a sexta as 13h15 na Super Condá AM 610”

“Também me leia no jornal Sul Brasil”

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