Entrevista: Uma rápida conversa com Raimundo Colombo

Desde que deixou o comando do Estado, o agora ex-governador Raimundo Colombo (PSD), tem evitado conceder entrevista à imprensa. Pré-candidato ao Senado, ele aguarda pelo início de sua agenda de visitas a todas as regiões para começar a conversar com os veículos de comunicação. Mas, Colombo aceitou responder a algumas perguntas à minha coluna no SC em Pauta.

Marcelo Lula – Como que o senhor recebeu as declarações do governador Eduardo Pinho Moreira (MDB), e de lideranças do atual governo em relação ao seu mandato?

Raimundo Colombo – Minha intenção foi fazer uma transição que não atrapalhasse a sociedade catarinense. Meu comportamento é esse. Ninguém pode reclamar. Os problemas políticos gerados por essa etapa serão tratados no tempo certo e de forma correta. Durante mais de sete anos estivemos juntos. Muitos dos resultados, que hoje colhemos, são reflexos do que foi construído ao longo do governo. Por exemplo, os bons índices na Segurança Pública, com a contratação de mais de 9 mil agentes desde 2011. Só em dezembro entraram mais de 1 mil novos policiais. O importante é que o Estado continue crescendo e as pessoas melhorando a sua vida, como tenho certeza e todos os indicadores comprovam, nós conseguimos.

Os problemas políticos gerados por essa etapa serão tratados no tempo certo e de forma correta.

Marcelo Lula – O senhor sentiu que as manifestações procuraram culpá-lo pela atual situação financeira do Estado?

Colombo – As contas do governo vem com dificuldades em todos os estados do Brasil. O quadro de SC é bem menos difícil do que os outros. Está mais equilibrado do que os outros estados. E isso é fácil de ver. As receitas desse ano estão melhores, todos os números estão melhores e a Folha de São Paulo comprovou isso em sua edição de fim de semana, sinalizando Santa Catarina como o melhor estado do Brasil. A matéria repõe algumas verdades sobre os dados do governo. Agora, cortar despesas a gente tem que fazer todo o dia. É como você cortar a unha, precisa ser todo o dia porque senão ela fica grande e isso incomoda. Eu fiz cortes durante todo o tempo. As secretarias regionais tinham secretários-adjuntos e a gente tirou. Diminuímos uma série de cargos comissionados. No ano passado, fechamos a Cohab, Codesc e Bescor, empresas que não tinham mais função. É natural que os cortes sejam feitos. Agora, não significa que haja desequilíbrio ou má-gestão. Significa a necessidade de você continuar com a política de cortes porque cada vez será mais difícil. O maior problema do governo é a previdência, com um déficit de mais de R$ 300 milhões por mês. Fizemos a reforma da previdência em 2014 com coragem e o apoio da Assembleia Legislativa. Os servidores também ajudaram e a contribuição passou de 11% para 14%.

Todos os números estão melhores e a Folha de São Paulo comprovou isso

Marcelo Lula – O senhor ligou para o Eduardo Pinho Moreira para falar das declarações?

Colombo – Não.

 

Marcelo Lula – O clima entre o senhor e Eduardo Pinho Moreira não é mais, tão bom como era antes? Inviabiliza uma aliança que o senhor defendia entre o MDB e o PSD?

Colombo – Vamos falar de Santa Catarina. Da crise do frango e do suíno. Isso é mais importante. Você não enxerga isso.

 

Marcelo Lula – Quanto ao Fundam. O que de fato aconteceu? O governador Eduardo Pinho Moreira informou que o recurso não foi liberado, por não ter um direcionamento, e que o dinheiro poderia ser usado até para o custeio, situação que não é permitida pelo BNDES. O senhor sente que essas declarações podem ter uma motivação mais política do que administrativa?

Colombo – O Fundo de Apoio aos Municípios foi e é um grande projeto. Vou continuar lutando por ele.

 

Marcelo Lula – O deputado Gelson Merisio, será o candidato do PSD? Ele tem o seu apoio?

Colombo – Sim, tem meu apoio. Está trabalhando muito. Está conversando com os outros partidos. É um bom candidato, é jovem, tem talento e qualidades. Nós precisamos nos dar as mãos, trabalharmos com a humildade de quem sabe que o melhor caminho vai chegar lá na frente. Temos que trabalhar para fortalecer o nosso partido, o nosso pré-candidato e construir um espaço para fazer a melhor administração para Santa Catarina e para a nossa candidatura ao governo e o Senado. Outros partidos também tem seus candidatos. Agora é uma questão de ouvir, falar pouco e tentar somar para SC. O quadro das coligações começa a ter conversas agora, mas a decisão será dia 5 de agosto. Vamos trabalhar. Não existe eleição fácil.

Temos que trabalhar para fortalecer o nosso partido, o nosso pré-candidato

Marcelo Lula – O que o senhor pensa da aliança que está sendo construída por ele?

Colombo – Todas as alianças são importantes para consolidar um projeto eleitoral. Não pode ser apenas um ajuntamento eleitoral.

 

Marcelo Lula – O senhor defende que o PSD lidere aliança, ou poderá oferecer apoio a outro partido oferecendo o vice?

 Colombo – O importante é construir um projeto de governo para Santa Catarina. E o PSD tem todas as condições de liderar.

 

Marcelo Lula – Como que o senhor avalia o cenário pré-eleitoral quanto a eleição ao Senado? Quais serão os seus maiores adversários?

Colombo – Não tenho medo do futuro e nem da eleição.

 

Marcelo Lula – A ação devido a um suposto caixa 2 de campanha, pode atrapalhar, ou o senhor avalia que o eleitor já entendeu as suas explicações?

Colombo – É importante destacar que a Procuradoria Geral da República arquivou a denúncia de corrupção passiva depois de dois anos de ampla investigação. Sobre a ação relativa à denúncia de crime eleitoral, reafirmo ter todos os elementos para fazer os esclarecimentos necessários.

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