Entrevista: Gelson Merisio – Pré-candidato a governador pelo PSD

O deputado estadual Gelson Merisio, antecipou o debate eleitoral, desde que deixou claro que tem trabalhado para viabilizar o seu nome para ser o candidato ao Governo do Estado pelo PSD. Em entrevista ao SC em Pauta, Merisio fala da eleição e das necessidades do estado.

 

Marcelo Lula – O senhor foi o primeiro nome do estado a realmente se colocar como pré-candidato a governador. Por qual motivo adiantou o processo?

Gelson Merisio – Os remendos que o Congresso chamou de reforma política reduziram o espaço para o surgimento de novas lideranças. Isso vale para as mulheres e os jovens que querem ingressar na política e também para aqueles estão há menos tempo no processo ou que nunca disputaram uma eleição majoritária. A antecipação foi uma forma de ampliar o diálogo com a sociedade, permitir que as pessoas conheçam as minhas ideias e dos outros pré-candidatos que se apresentaram no mesmo período. Neste ano, por exemplo, teremos apenas 45 dias logo após a Copa do Mundo para que a sociedade debata o futuro do país e do Estado. Antecipar o debate é melhorar a democracia, dar oportunidade para o eleitor conhecer melhor aqueles que podem representá-lo.

 

Marcelo Lula – O senhor tem defendido que o Oeste tenha candidato a governador, não a vice. Mas como está sendo o diálogo com as demais regiões para esse entendimento?

Gelson Merisio – Talvez pela região Oeste nunca ter tido um representante eleito governador, eu não vejo resistência em lugar algum. Sou sempre muito bem recebido. Os catarinenses conhecem as marcas características dos oestinos e valorizam isso: nossa capacidade de trabalho e nossa força de superar desafios. Vale lembrar que fui eleito três vezes presidente da Alesc por unanimidade, com o apoio de representantes dos catarinenses de todas regiões do estado.

 

Marcelo Lula – O governador esteve em um evento no município de Campo Alegre, onde deu apoio à sua pré-candidatura. Ao mesmo tempo, ele abre espaço para o MDB no governo. A situação com Raimundo Colombo está acertada em relação ao apoio?

Gelson Merisio – A prioridade do governador é terminar bem seu exitoso mandato. Raimundo Colombo comandou nosso Estado durante a maior crise econômica que o país já enfrentou na sua história. E vai encerrar essa etapa da sua vida politica com o emprego dos catarinenses preservados — temos o menor desemprego do país — e com a maior geração de vagas em 2017. Tudo isso sem parar investimentos e sem aumentar impostos. A liderança do governador foi extremamente importante para nós nesse período. E temos ainda mais resultados a comemorar. No ano passado, colhemos a maior safra de soja da história de Santa Catarina, ampliando nossas exportações. E agora em fevereiro conquistaremos o título de único Estado do Brasil com 100% de cobertura no monitoramento por radares meteorológicos, aumentando nossa capacidade de resposta a desastres naturais.

 

Marcelo Lula – O senhor anunciou que o PSD deixará o Governo do Estado, assim que o Eduardo Pinho Moreira (MDB) assumir. No dia 16 de fevereiro ele começa a assumir interinamente, devido as licenças do governador. O partido já sai agora, ou vai aguardar a renúncia de Raimundo Colombo (PSD) em abril?

Gelson Merisio – Uma licença de pouco mais de 15 dias não é a renúncia ao cargo. O anúncio foi de que renunciará ao mandato em abril, data que o próprio governador fez questão de frisar. Faremos o que foi feito em 2010, quando entregamos todos os cargos ao governador Leonel Pavan. O PSD sairá exatamente junto com o governador Raimundo Colombo.

 

Marcelo Lula – O PSD terá alguma disputa interna? Como será resolvida a situação, por exemplo, com João Rodrigues e Júlio Garcia?

Gelson Merisio – A aspiração de qualquer um é legítima. Quando você está no trabalho, em campanha ou no poder você precisa ouvir todo mundo, inclusive aqueles que pensam diferente. É importante escutar suas ideias. A diversidade de opinião nos deixa mais sábios, cultos e democráticos. Liderança verdadeira não é fugir de quem discorda da gente. Liderança é ir de encontro à diversidade de opiniões e ideias. Essa é minha missão como presidente do PSD e espero chegar na convenção com um quadro político bem definido, unidos e preparados para vencer mais uma eleição.

 

Marcelo Lula – Quem o senhor deseja para compor de vice? Como será esse processo de escolha?

Gelson Merisio – Isso vai depender das nossas alianças. O que temos hoje é a união de nove partidos, entre eles PSD, PP, PSB e PDT em torno de um projeto formado por ideias que entendemos como ser o melhor caminho para Santa Catarina. Essas definições virão mais à frente, mas com um nome do Oeste liderando o processo. Bons nomes para vices podem vir da região Norte ou da Grande Florianópolis, por exemplo.

 

Marcelo Lula – Esperidião Amin quer se lançar pré-candidato a governador. Como o Progressistas e o PSD tem um acordo de estarem juntos, como será resolvida essa questão?

Gelson Merisio – O Esperidião Amin foi um grande governador e fez uma gestão eficiente na recuperação do estado, após um governo desastroso do PMDB que deixou uma herança judicial sem precedentes que literalmente quebrou o estado — Letras, Invesc, precatórios, etc. Nós estamos montando o time que queremos ter junto durante a disputa eleitoral de 2018, com grandes nomes dos partidos aliados. Hoje tenho a convicção e a certeza do que precisa ser feito e a forma de como deve ser feito. Passo a passo com otimismo, dedicação e acima de tudo, com muito respeito a quem pensa o contrário ou diferente. Nós vamos construir um caminho exitoso, vitorioso e tenho plena confiança que estaremos juntos no mesmo palanque.

 

Marcelo Lula – Será possível atrair o PSDB também? O presidente Marcos Vieira disse que os tucanos não abrem mão da cabeça.

Gelson Merisio – Respeitamos muito a força política do senador Paulo Bauer, que já foi candidato a governador e é bem citado nas pesquisas. Eles tem na candidatura uma opção sólida para o PSDB, mas a legenda também tem prioridades no seu projeto nacional com a eleição à presidente da república. Por isso, o PSDB só deve ter definições sobre candidatura muito mais próximo do período eleitoral, no final do primeiro semestre. O que temos feito é mantermos sempre as portas abertas.

 

Marcelo Lula – Além do trabalho como deputado, o senhor tem uma grande equipe formada por notáveis, para lhe ajudar a pensar em projetos para Santa Catarina. Como é esse trabalho?

Gelson Merisio – Na prática, o que fizemos foi montar dez grupos com especialistas em setores como saúde, educação, infraestrutura, cultura, inovação e segurança pública. São professores universitários, empresários e lideranças de partidos que trabalham de forma independente e voluntária para montar projetos e soluções de curto, médio e longo prazo para os problemas atuais de Santa Catarina. Há novos segmentos para explorar, novos empregos para serem criados, novas escolas e hospitais para construir, ameaças e desafios na segurança pública que devem ser enfrentadas de frente, com coragem. O caminho pela frente neste ano será longo e intenso. Um exercício para nossas habilidades. E ninguém consegue formar um projeto de consistência sem a participação de uma equipe comprometida, determinada e com pleno conhecimento das nossas prioridades.

 

Marcelo Lula – O senhor esteve recentemente em Israel, observando a tecnologia voltada à segurança pública. De que forma é preciso trabalhar para que Santa Catarina tenha mais segurança?

Gelson Merisio – Se você for comparar o tamanho da população, o número de polícias e a área de Israel com Santa Catarina, estamos apenas um pouco abaixo no número do efetivo. Mas qual o grande segredo deles lá? O uso da tecnologia. Precisamos integrar as câmeras de vigilância públicas com as privadas. O salto seria de mais 10 mil câmeras de observação e vigilância. E precisamos de softwares automáticos que identifiquem padrões suspeitos para emitir os alertas para os policiais das centrais de monitoramento. Essas tecnologias já existem e Santa Catarina já é referência nacional em tecnologia, por isso a urgência de usar a inovação a favor do Estado. Para nossa sorte, essa vocação deve nos ajudar a fazer esse processo ser rápido.

 

Marcelo Lula – A infraestrutura do estado também carece de mais investimentos. Em tempos de recursos escassos, como investir nesse setor que é fundamental? O Oeste também sofre com essa situação de ter dificuldade para escoar a sua produção. O que fazer em relação a estrutura e modais?

Gelson Merisio – São muitos desafios que precisam ser enfrentados em todo estado. Mas gostaria de aproveitar para destacar, neste sentido, a importância de um governador do Oeste. A região é a maior produtora de proteína animal do mundo e exporta para mais de 60 países, principalmente aves e suínos. A base desta cadeia é o milho e o futuro nos leva à necessidade de criar novos corredores para a chegada do grão até a região Oeste. Santa Catarina importa 3 milhões de toneladas de milho por ano da região Centro-Oeste do País. Mas basta olhar para o lado para descobrir que o Paraguai pode fornecer a mesma quantidade de milho com um custo de frete cinco vezes menor.  Por outro lado, também precisamos escoar nossos produtos, duplicando a BR-282, concluindo a BR-470, melhorando a eficiência logística até os nossos portos no litoral. Desta forma vamos aumentar a integração produtiva, elevar o grau de competição, gerar mais riquezas e garantir a oportunidade da permanência. Se melhorarmos a base da economia, tudo na sua volta melhora, como segurança, saúde e educação. Estados brasileiros onde o peso do agronegócio é menor exibem os piores resultados econômicos e sociais, com reflexo em um serviço público deficiente. É o caso dos estados do Rio de Janeiro e Pernambuco, que tiveram em 2017 muitos resultados negativos.

 

Marcelo Lula – Como resolver a questão da Saúde do estado que carece de mais investimentos, sem contar a dívida bilionária que tem que ser paga?

Gelson Merisio – A Saúde é uma área extremamente sensível. Infelizmente foi muito afetada pela crise que o País enfrenta, com o governo federal atrasando mais de um terço de todos pagamentos do SUS, que para piorar já são pagos com uma tabela extremamente defasada. Da nossa parte, como resposta institucional do Estado, aprovamos uma Proposta de Emenda à Constituição de minha autoria que fez Santa Catarina aumentar o investimento mínimo obrigatório de 12% para 15% até 2019 e ficou conhecida como PEC da Saúde. O primeiro Legislativo do Brasil a fazer isso. Agora em 2018 teremos 14% de toda a arrecadação de impostos destinada para a área, com R$ 220 milhões a mais do que teríamos sem a emenda constitucional. Não será da noite para o dia que todos problemas irão se resolver, mas estamos no caminho da melhora. Imagine como isso impactará na área quando voltarmos a crescer mais de 10% ao ano.

 

Marcelo Lula – O senhor seguirá defendendo a extinção das regionais? Mas como desconcentrar os recursos para todo o estado?

Gelson Merisio – As regionais custam mais de R$ 450 milhões por ano ao governo do Estado. É um modelo que cumpriu o seu papel, mas a tecnologia evoluiu muito.  O atendimento ao cidadão pode chegar através de sistemas digitais como o celular, tablets e computadores e atender a todas as pessoas usando apenas a modernidade e a tecnologia existente. Isso vai aliviar custos com pessoal, aluguéis e a própria manutenção destas estruturas regionais. O papel institucional de representação pode ser feito pelo fortalecimento das Associações de Municípios, já existentes e compostas por representantes eleitos pela população. Sabe o que esses milhões poderiam fazer pelo serviço público catarinense? Manter mais 3.214 médicos nos postos de Saúde, contratar 7.772 policiais militares para o efetivo catarinense ou até construir 8.490 casas populares. São números que não podemos ignorar.

 

Marcelo Lula – Quais os principais desafios a serem enfrentados, para fazer o estado crescer?

Gelson Merisio – O Estado se agigantou de tal forma que acaba dando prioridade somente à sua própria manutenção e corre o risco de perder de forma definitiva a sua capacidade de investimento. Por exemplo: no ano passado o déficit da previdência de servidores públicos em SC foi de R$ 4 bilhões para atender 70 mil aposentados. Enquanto que o investimento em Saúde foi de R$ 3,2 bilhões e Segurança R$ 2,6 bilhões para atender quase 7 milhões de catarinenses. Isso não é uma crítica aos aposentados que tem seus direitos assegurados. Mas o modelo precisa ser revisto. As mudanças ocorridas na sociedade brasileira e catarinense, também precisam chegar à política. Uma sociedade moderna, precisa de um governo moderno. Uma iniciativa privada eficiente precisa de um governo eficiente. Um governo não pode ser anacrônico e desatualizado. Tenho consciência como ninguém de que a gente já fez muita coisa, mas também que precisamos fazer ainda mais e trabalhar muito para avançar em todos setores.

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