Em crise financeira, Hospital de Caridade corre o risco de fechar as portas na Capital

Um dos estabelecimentos de saúde mais antigos de Santa Catarina que presta relevantes serviços à toda a população do estado corre o risco de fechar as portas. A situação do Hospital de Caridade, no centro de Florianópolis, já chegou à Assembleia Legislativa na sessão ordinária da manhã desta quinta-feira (30), que foi suspensa para que o vice-provedor do Hospital de Caridade de Florianópolis, Blasco Borges Barcellos, se manifestasse sobre os problemas que a instituição vem enfrentando.

Blasco Borges Barcellos, vice-provedor do Hospital de Caridade. Foto: Alesc

“Nosso hospital encontra-se batendo as portas de um centro de terapia intensiva, por dificuldades financeiras que não acontecem só no Hospital de Caridade, mas atingem todos os hospitais filantrópicos desse pais”, afirmou. O Hospital Caridade, de âmbito filantrópico, que em novembro deste ano interrompeu a cirurgia de transplantes por falta de pagamento, acumula dívidas com os profissionais. De acordo com a direção, apesar de os repasses estarem em dia, o dinheiro está sendo redirecionado para outros setores em dívida.

“O custo de uma cirurgia de alta complexidade pelo SUS como, por exemplo, a ponte safena, é repassado ao hospital R$ 9.838, mas nos custa em torno de R$ 20 mil. E quem paga essa conta?”, questionou o doutor Blasco. Segundo o hospital, há servidores com os pagamentos em dia, mas a despesa maior está entre os cerca de 100 médicos credenciados para fazer atendimentos e procedimentos, que acumulam cerca de R$ 12 milhões de dívida.

“O que fazemos com os recursos que recebemos do SUS, os R$ 9 mil médios mensais não são para pagar os honorários, mas pra comprar insumos e materiais. Estamos nos apropriando dos honorários dos profissionais”, afirmou Barcellos. O Sistema Único de Saúde paga por um leito de UTI a média de R$ 600, mas o hospital tem o custo de R$ 2.200 a diária.

“Quem paga a conta? Temos a disposição do SUS 10 leitos de UTI reservados, mas temos em todo nosso complexo 30 leitos de UTI ativos e ainda 10 inativos que não podemos colocar em funcionamento sob pena de aumentarmos os nossos custos”, frisou o doutor.

Deputados se manifestam
Para o deputado João Amin, o Hospital de Caridade é referência em atendimento e o seu fechamento seria um dano irreparável: “É um problema que tem que ser encarado com muita força. A gente sabe que, se o hospital fechar as portas, que seja por um dia, o prejuízo seria irreparável. Por isso, me solidarizo com a causa e acredito que ela deve entrar no radar das prioridades do estado.”

Conforme o vice-presidente, a administração da instituição procurou a Cruz Vermelha de São Paulo e o Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, para iniciarem um estudo da situação financeira e procurar soluções para o Caridade.

“Desde 1997, 98, que o serviço prestado pelos hospitais filantrópicos não recebem um centavo de reajuste. Assim fica impossível. Eu defendo a tese de que o governo, tanto federal, quanto estadual, priorizem a saúde”, frisou o presidente da Casa, deputado Silvio Dreveck (PP), que ainda falou sobre a confecção de um documento e um futuro agendamento de audiência, através do Ministério da Saúde, para buscar recursos com o governo federal.

Nota do colunista
O fato é que os problemas no setor da saúde em SC estão se ampliando, e os hospitais, e a população que depende deles, não vivem só de discursos. Deputados, senadores, Governo do Estado, lideranças empresariais e políticas devem sair da inércia em que se encontram e partir para ações mais duras e efetivas para resolver, de fato, a crise na saúde do estado. Depois das portas fechadas, o paciente estará definitivamente na UTI.

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