Em Criciúma o protesto da “multidão de meia dúzia”

Nestes tempos de Fla-Flu ou de Gre-Nal que virou a discussão sobre os fatos no país, ontem na Praça Nereu Ramos em Criciúma, algumas centenas – não deu milhares – de pessoas foram preferencialmente de verde e amarelo levar o seu protesto. Mais tarde, nas redes sociais, as torcidas organizadas trataram de interpretar, cada qual ao seu gosto o resultado da manifestação contra a corrupção e em favor da Lava Jato. Para quem foi apenas observar, por força do ofício a constatação de que a torcida anti-Lula é maior que o grupo que foi à manifestação. Como jornalista lembrei-me daquele tempo em que sindicalistas e outros petistas levavam “meia dúzia de multidão” à Praça e vendiam a ideia de que a unanimidade estava ali. E até provocavam o jornalista a conferir que aquilo era uma multidão que representava a opinião única. Parece mesmo que uns aprendem bem com os outros. Oh tempos distintos de pensamentos parecidos.

 

Virou alvo

Em Criciúma lembra-se dos tempos em que certos setores das lideranças metralhavam alguns nomes que eram “endiabrados” porque puxavam o coro do abaixo à burguesia. Eram donos absolutos de suas convicções à época. Alguns prosperaram como lideranças, assumindo sindicatos e até cargos federais. Um deles, na época, amarrou bomba de dinamite ao corpo, em determinado tempo. Pois no protesto de ontem o líder do “Lula na cadeia” foi o empresário Nilson Olivo, hoje inimigo número um dos líderes de movimentos daquela época.

Últimos acordes

O governador Raimundo Colombo só deve ajustar hoje como vai proceder em relação à sua renúncia. Deve mesmo ir à assembleia Legislativa amanhã, para entregar documento oficial. Antes ou depois concederá uma entrevista coletiva.

Educação

Ontem, já no apagar das luzes do seu governo Raimundo Colombo sofreu na Assembleia Legislativa uma derrota previsível. Os deputados derrubaram os vetos à anistia (abono) às faltas dos professores por ocasião das greves de 2012 e 2017. Se não ocorresse isso uma massa enorme de professores teria prejudicada sua progressão na carreira.

Do ofício

Há dois fatores a serem considerados na derrubada dos vetos do governador à anistia das falhas em tempos de greve dos professores. Primeiro que os deputados não comprariam a briga com a categoria, ainda mais em ano de eleição. Por fim, Raimundo Colombo intimamente pode até ter pensado diferente do que decidiu, mas como gerente maior da máquina do Estado, não poderia ser omisso em relação às falhas. Preço que paga porque há ossos de dinossauro no ofício.

Feliz aniversário

A deputada federal Giovânia de Sá, que aniversariou sexta-feira da semana passada, comemora aniversário no próximo sábado. Trará à Criciúma toda a “tucanada”. Até ontem rigorosamente todos os tucanos da plumagem mais expressiva no Estado haviam confirmado presença na recepção que vai acontecer na sede da Associação Imbralit, empresa onde a deputada atuou nos tempos da iniciativa privada. 

Pelo Sul

O prefeito de Blumenau, Napoleão Bernardes, que amanhã oficialmente renuncia a dois anos e nove meses de mandato para dedicar-se a voos mais altos na política, tratou de juntar o útil e o agradável ao necessário. Ele avisou o prefeito Clésio Salvaro que virá para o aniversário da deputada Giovana, mas que além de um tour pelo município, pretende percorrer a região. 

Com o Governo na mão

O vice-governador em exercício Eduardo Moreira, ontem em roteiro em Tubarão, não só deixou generosa pasta de recursos, mas principalmente despejou conhecimento detalhado de uma lista infindável de questões levantadas durante uma entrevista coletiva. As perguntas saíram do roteiro e trataram de questões regionais, entre elas a necessidade de recuperação de urgência na Serra do Rio do Rastro. Para quem até ontem era vice-governador, a precisão com que respondeu sobre os números, os detalhes do andamento de projetos e até alguns meros ensaios de temas locais que viraram questionamento, revelaram um incrível e absoluto domínio sobre o governo.

PMDB Nos bastidores dos poderes, na capital, muito nos cantos mais restritos circulam teses que sugerem o caminho da recuperação dos direitos políticos, atualmente cassados, do senador Dário Berger.

NÃO MENOSPREZE Dário Berger é hoje um dos políticos mais bem articulados e de uma carreira brilhante, apesar de curta para o tamanho do sucesso. Os ventos da sorte sempre sopraram a seu favor. Em outros tempos quebrou a lógica da legislação emendando dois mandatos em São José e outros dois em Florianópolis.

ENIMAGMA Aos que caíram no vale podem reascender ainda em terreno da casa pelas mãos de togado exalado da trincheira ora casa do julgado, que para sua glória derradeira pode contar no paraíso da sua pátria com o dom de justiça de um paladar dos mais doces. 

NÃO NÉ Essa história de juízes e procuradores levarem abaixo-assinado à instância maior do Judiciário, defendendo a prisão em segunda instância, me sugere que magistrados o recado que mandam ao povo é que gostariam de ouvir às suas janelas, em dias de julgamentos, o povo batendo panela em defesa do que lhes parece Justiça.

SENTIMENTO Nos dias de hoje vereadores se envergonham do presidente da república como juízes de primeiro grau se envergonham dos togados da mais alta instância do país. A forçosa analogia é para dizer que tanto na política (Executivo e Legislativo), como no Judiciário, a podridão de lá incomoda até o extremo.

FRASE DO DIA

Nós voltamos rapidinho ao século XVIII, com o detalhe de que naquela época os iluminados do planeta discutiam o mérito da lei. A ideia era que cada cidadão não poderia ficar sujeito à vontade das autoridades, mas que lei deveria garantir a igualdade a todos. Hoje, aqui no Brasil, enfrentamos a mesma discussão. Porém, de um lado os advogados representantes do cidadão sustentando a obediência constitucional, enquanto de outro alguns magistrados avocando o Poder e a competência de definir além do texto da lei”.

Advogado Alexandre Barcelos João, analisando a atual discussão sobre prisão ou não em segunda instância.

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