Em Criciúma, Clésio Salvaro reinventa o Governo e outras

Casa de ferreiro, espeto de pau

O governo de Criciúma passa por mudança. O coordenador do Procon, Gilberto Santos, pediu demissão e foi substituído pelo coordenador de Comunicação, jornalista Gustavo Colle. A troca foi rápida porque ambos eram ligados ao gabinete do vice-prefeito. A mudança, agora, abriu espaço no cargo da Comunicação, que antes era do vice e pelo visto passa a ser ligado ao gabinete do prefeito. É um erro que está sendo corrigido. O vice é jornalista e pela lógica se esperava melhor desempenho da pasta, mas não foi o que aconteceu. Provavelmente o prefeito entendia que bastava deixar a comunicação com o vice, que é da área. A pasta nunca teve a densidade de pessoal e orçamento que merece. É como se fosse dada ao ferreiro a missão de assar o churrasco com espeto de pau.

Erro a erro

Apesar do comando e subordinação competentes, a comunicação do governo teve um dos piores desempenhos da administração. Clésio Salvaro, que no primeiro governo fez da pasta seu ponto forte, cometeu o equivoco de ignorar a importância da comunicação ao esperar resultado sem dar condições. Ricardo Fabris foi o ferreiro que deixou o churrasco no espeto de pau cair na brasa. 

Aço inox

O novo homem de comunicação da prefeitura de Criciúma deve ser o jornalista Douglas Nazário, que precisa chegar exigindo oque seu antecessor não teve. Assim como Gustavo Colle não é do ramo e vai para o Procon, onde precisa de um desempenho que não teve atuando na sua área, a comunicação deve ser ligada ao prefeito Clésio Salvaro, que embora não seja jornalista, é hábil no assunto, mas precisa abandonar o improviso.

Vento a favor

Todos os últimos movimentos no governo do município favorecem. Desde a saída do Secretário da Fazenda a troca da Comunicação e principalmente uma redefinição do papel do vice-prefeito, os fatos ajudam. No caso do vice, ele passa a ser representante da ala do PSD que aumenta seus compromissos com o governo. E agora Clésio Salvaro não vai mais negociar com o seu “vice”. Vai conversar com Júlio Garcia. Não há degrau entre ambos.

Força do aliado

Antes o PSD barganhava individualmente e “descompromissadamente”, e a conversa era de prefeito e vereadores. Agora o PSD tem ônus e bônus. Agora o vice, que antes era menos aceito no próprio partido do prefeito, tem o cacife de Júlio Garcia. É mais fácil fazer o partido do prefeito (PSDB) compreender quem é que está negociando.

E o governo?

O maior adversário do prefeito Clésio Salvaro continua sendo ele próprio. E não é só pela comparação ao primeiro governo. Desta vez nem a Câmara criou Oposição, o que por força da natureza política iria gerar aquela turma de defesa da Situação. Hoje a Câmara está para o governo como o infarto está para o cidadão: silencioso e perigoso. Nem ao aliados se preocupam em defender o prefeito e ele vai sofrendo devagarinho.

Time de fé

A saúde de ferro do governo municipal de Criciúma hoje, e o que permite imaginar que a imagem possa se reverter a qualquer momento, é a forte casta dos antigos fiéis como Arleu da Silveira, Selva, Celito Cardoso e companhia. Trata-se daquele grupo capaz de suportar equívocos e até maus tratos ocasionais, sem nunca perder a fidelidade. É o time que vem desde o primeiro governo.

Semana do dia 3, 4,6 e 7

Esta é uma semana intensa na atividade.política. Começa por uma mobilização que pretende devolver a indignação às ruas, inclusive em Criciúma. Os protestos em todo o Brasil do dia 3, ligados diretamente ao julgamento do ex-presidente Lula no dia 4 são eventos nacionais. Os dias 6 e 7 – e os que os antecedem – reservam movimentos regionais (Estado). O governador Raimundo Colombo deve oficializar (documentar) no dia 6 sua renúncia ao cargo e no dia seguinte comemorar. Movimentos forçados à mantê-lo na vida política. Sábado (7) ele deve fazer um evento em Lages. Antes irá à Assembleia Legislativa entregar a carta renúncia.

CONVIDADOS A imprensa deve prestar muita atenção aos que irão sábado à Coxilha Rica em Lages, quando Colombo pretende movimentar o seu PSD anunciando candidatura ao Senado. Acontece que nem todos os convidados de Raimundo são convidados do PSD de Gelson Merísio.

DIA 7 JÁ FOI Aparentemente não há grandes “pulos” pela janela criada pela legislação eleitoral. Diante da expectativa que se criou, quase nada. A mais importante foi a ida de João Paulo Kleinubing do PSD para o DEM.

FALTA UM A maior surpresa da semana deve ser a troca de partido do deputado estadual e tucano tradicional Leonel Pavan. Amanhã deveremos saber.

DESINCOMPATIBLIZAÇÃO Este palavrão sim parece o mais aplicado a este dia 7. É o limite aos ocupantes de cargos que precisam desembarcar seis meses antes da eleição. Nem todos sabem, ainda, se vão disputar a eleição, mas desembarcam nesta semana.

EMPRESÁRIO Assim como o empresário Luciano Hang (dono da Havan) pode sair candidato a governador em Santa Catarina, o empresário Flávio Rocha, dono da rede Riachuelo pode ser candidato a presidente da república. Ele se filiou ao PRB.

PRESIDENCIÁVEL O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa pode confirmar nesta semana filiação ao PSB com intenção de concorrer à presidência do Brasil.

REELEIÇÃO Levantamento de veículo da capital indica que 31 dos 40 atuais deputados estaduais vão concorrer à reeleição. Do sul apenas Ricardo Guidi está fora, pois vai concorrer a deputado federal.

SINDICAL Assunto que deve agitar a semana é a contribuição sindical pós reforma. Entidades patronais estão forçando a barra distribuindo orientação e entendimento de que só se um a um dos trabalhadores se manifestar o desconto válido. Isso ajuda a “quebrar” sindicatos de trabalhadores.

DEVAGAR Os sindicatos de trabalhadores não parecem ainda preocupados e mobilizados o suficiente para assegurar a clientela que os vai manter fortes. Para um país acomodado a leis que pareciam perenes oportuno debater papel, atuação, eficiência e até denunciar displicência sindical.

FRASE DO DIA

Hoje eu apostaria que podemos ter uma eleição iguala de 1989, quando foram 22 candidatos à presidência da república. Neste caso quem tiver 18 a 20 por cento dos votos pode ir ao segundo turno.

Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, em entrevista à rádio Eldorado. Vale prestar atenção neste cenário.

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