E agora João?

Deputado federal João Rodrigues teve condenação mantida ontem pelo STF

E agora João? Parodiando o início do famoso poema de de Drummond, este questionamento para o deputado federal João Rodrigues (PSD) fica no ar, e ainda sem respostas. Com a confirmação da sua condenação pelo STF ontem (6/2), e com a Polícia Federal à sua espera para cumprir o mandado de prisão determinado pelos ministros da mais alta corte brasileira, a pergunta se repete como no poema. E agora João? Ficará sem mandato, ficará sem poder, ficará sem razão?

A condenação impactante
Dono de verborragia farta, envolto em polêmicas das mais diversas contra o PT, dando de dedo nos Batistas da JBS em CPI, batendo boca com deputados sobre questões das minorias como os LGBTs, peças de teatro, vídeos pornôs em plenário, e ultimamente em seu próprio partido, ao se lançar como pré-candidato contra o seu parceiro de eleições no oeste catarinense, Gelson Merisio, presidente do PSD e já lançado como pré-candidato do partido ao Governo de SC, João Rodrigues é abatido em pleno voo de uma carreira política que começou em Pinhalzinho.

E agora João? – Parte 2

E agora João, mas o João Raimundo Colombo, governador prestes a se licenciar, e logo após renunciar ao Executivo catarinense para disputar o Senado? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora João? Responsável nos bastidores pela operação que incluiu o outro João, o Rodrigues, para barrar o processo acelerado proposto por Merisio no PSD, Colombo capitulará para o deputado estadual? Vai seguir no plano Udo? E agora João Raimundo Colombo?

Fundam pode afundar?
Além desta preocupação de Colombo, a sua sucessão e viabilidade de candidatura tranquila ao Senado Federal em que João Rodrigues era peça chave, o Governador tateia aqui e acolá para que o Fundam não vire “Afundam”, ou seja, afunde e leve junto considerável parcela de prefeitos e deputados apoiadores do projeto. Afinal, muitas obras estão à espera dos recursos que viriam via BNDES. Dará tempo de sair a verba milionária antes de 7 de abril?

Gestão Aldo

Ficou claríssimo ontem que Aldo Schneider manterá tudo como estava na gestão de Silvio Dreveck na Assembleia Legislativa, inclusive a polêmica e milionária – e rápida – compra do prédio de R$ 83 milhões no centro da Capital Florianópolis. O emedebista foi muito aplaudido ontem na sua posse em sessão da Assembleia, recebeu centenas de convidados das suas bases eleitorais, afagou o seu partido, lideres dos demais partidos, e até a ex-primeira dama do Estado, Ivete Appel da Silveira. Vai levar na tranquilidade, busca mares sem marolas.

Fogo amigo?
O vereador mais votado do MDB em Florianópolis, Rafael Daux, não anda muito afinado com o Prefeito Gean Loureiro desde o ano passado, quando teve seu nome retirado da CPI do Aniversário de Florianópolis pelo líder da bancada. Agora, Daux articulou a criação da CPI da Taxa de Lixo na Câmara de Vereadores, conseguiu nove assinaturas e pode conseguir a instalação de uma investigação que vai incomodar Gean Loureiro. Afinal, mexer em resíduos sólidos assim pode até achar alguma coisa. Daux, dizem, é pré-candidato a deputado estadual.

CPI da Taxa do Lixo

Só para todo mundo entender. A CPI vai ter como objeto de investigação o aumento promovido pelo governo municipal da taxa de coleta de resíduos sólidos. O requerimento da instauração será lido na sessão desta quarta (7), no Plenário do poder legislativo. O povo gritou, e os vereadores também querem saber qual matemática foi aplicada para aumentar a taxa em 150% e até 300%. Gean e Daux já andaram mais juntos…

Articulações embaralham
Com essa decisão que tira do páreo, politicamente, o deputado João Rodrigues (PSD), o jogo sucessório embaralha novamente. Ontem, na posse de Aldo Schneider (MDB) no comando da Assembleia, o que se falou muito foi sobre qual será o plano após este naufragar, e que envolvia, segundo as fontes, o ex-deputado, ex-conselheiro do TCE, Julio Garcia, o governador Raimundo Colombo (PSD) e até o vice, Eduardo Moreira (MDB), que estaria gostando muito de ser candidato… Logo as cartas se rearranjarão.

Nada a comemorar
Mesmo que sequer adversários políticos tenham comemorado, a determinação da prisão, mesmo em caráter semi-aberto determinado pelo STF, é preciso dizer que realmente não há nada a comemorar. Nenhum prisão, seja de um pobre da favela, criminoso, ladrão, seja ministro, deputado, governador, é motivo de prisão. O desejo vingativo, promovido até por boa parcela dos parlamentares brasileiros, pedindo prisões a torto e à direito, não promove a paz e a tolerância. Quanto mais prendemos, mais admitimos que somos bárbaros, e não fazemos nada de fato para mudar o que aí está. Enquanto fecharmos escolas, e abrirmos quartéis de polícia ou presídios, caminhamos para uma deterioração social que nos cobrará caro, muito caro.

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