Com julgamento de Lula nesta quarta-feira (24), começa o ano político para valer no Brasil

Não há como negar que o ex-presidente Lula é peça principal no cenário político brasileiro, isso sete anos após deixar o poder central. Sua liderança política exerce o fascínio na população brasileira que experimentou oportunidades únicas em seus governos na habitação, emprego, melhorias salariais, educacionais. Lula é liderança forjada da base popular, mesmo que tenha ascendido a outros patamares após décadas de política.

Seu julgamento em segunda instância nesta quarta-feira em Porto Alegre, após condenação em sentença do juiz Sérgio Moro  por conta de acusação de corrupção passiva e recebimento de vantagens em contratos da Petrobras com a empreiteira OAS – o famoso caso do triplex do Guarujá – acirra os ânimos de lado a lado. Lendo os autos – e eu os li – não há realmente provas cabais de que o ex-presidente tenha recebido o tal apartamento. Juristas daqui e de países estrangeiros, e até a imprensa mundial, condenam o que chamam de perseguição à Lula.

De fato, desde a vitória de Dilma Rousseff sobre o tucano Aécio Neves em 2014, não aceita por este, o Brasil vive uma agonia sem fim. A briga política alimentada por parte de um MPF vingador e uma Justiça também justiçadora, ainda que parcial, levou o país a uma derrocada econômica e social jamais vista. Derrubaram Dilma Rousseff sem qualquer prova de desvios, roubos, crimes. Não houve malas de dinheiro, nem aqui, nem fora. Tampouco contas no exterior. A partir disso, vivemos então a beira de uma ruptura democrática perigosa.

Não importa o resultado do julgamento de Lula em Porto Alegre. Pode sequer haver o julgamento se um pedido de vistas de qualquer dos desembargadores solicitar, e aí a coisa vai sendo empurrada meses à frente. Temos eleições para Presidente este ano, e todo este tumulto não ajuda a democracia ao retorno a seu leito natural. Lula é sim o fiel da balança para a paz, ou a guerra. Inocentado, poder ser eleito, pode eleger alguém. Culpado, pode ser eleito a mártir, criando uma cisão irreparável a olho nu na nossa sociedade.

Nesse momento grave do país, o que se deve ter é a sabedoria. Lideranças que atearam gasolina ao fogo, devem vir para reduzir o incêndio, assim como os que não desejavam o incêndio devam praticar o gesto da união. Justiça não pode intervir na política. A política é a única saída democrática, e é preciso lutar por ela. Ditadura, seja ela de direita, esquerda, do judiciário, de que lado for, só serve para o arbítrio, a dor, a perseguição e o confronto.

É hora de baixar a chama que ferve o caldeirão, e deixar o povo decidir pelo voto soberano em outubro o que ele quer. Caso contrário, a guerra política e midiática vai seguir e sem prognósticos positivos para o Brasil. Torçamos pelo desfecho justo.

Deixe seu comentário:

Pin It on Pinterest