Ato “Suicídio Nunca Mais” marca a passagem de três meses da prisão do reitor Cancellier

O calçadão da Felipe Schmidt, centro de Florianópolis, estará movimentado na tarde desta quinta-feira a partir das 15 horas. O Coletivo Floripa Contra o Estado de Exceção realiza o Ato público “Suicídio Nunca Mais: Não aos abusos de poder contra a universidade”. Apoiado por diversas entidades, o ato marca a passagem de três meses da prisão do reitor Luiz Cancellier e de outros seis integrantes da UFSC. O ato em si inicia às 17 horas.


O movimento divulga mais informações em página do Facebook, que você pode acessar aqui. Também um longo texto explicativo sobre o ato, a ação da Polícia Federal, Ministério Público Federal, Justiça Federal, Procuradoria Geral da República, mídia e outros. Segue o texto divulgado pelo Coletivo:

Um basta ao abuso de poder!
Os atentados contra as universidades, que tiveram sua consequência mais trágica com a morte do reitor da UFSC, não são ações isoladas. Eles fazem parte de um conjunto de ofensivas continuadas contra as instituições públicas promovidas pelo Estado de Exceção que se instaurou no Brasil a partir do golpe de Michel Temer. Assim como os ataques fascistas às universidades federais do Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, as investidas contra a UFSC representam uma gravíssima ameaça à educação pública gratuita e de qualidade.

Os ataques às universidades atendem ao sórdido propósito de desmoralizar as instituições de ensino atacando dirigentes inocentes para derrubar sua autonomia, enfraquecê-las perante a opinião pública desavisada e, finalmente, privatizá-las. Como pano de fundo, temos um governo ilegítimo completamente submetido às recomendações econômicas do Banco Mundial que destroem nossas possibilidades de desenvolvimento privatizando nossos recursos naturais, roubando nossa soberania e esmagando as políticas públicas.

Mesmo depois de terem seus abusos largamente denunciados, os agentes do Estado de Exceção já deram clara demonstração de que os atentados não vão parar se não dermos um basta. Se não protegermos nossas universidades, todo o povo brasileiro será prejudicado, principalmente as pessoas mais pobres, que não terão mais acesso à educação pública.

“Uma dor assim pungente não há de ser inutilmente”. Este é o trecho da canção O bêbado e o equilibrista”, um hino contra o terrorismo da Ditadura Militar, composto pelos músicos João Bosco e Aldir Blanc, que expressou a homenagem dos estudantes da UFSC ao reitor Luiz Carlos Cancellier no dia da cerimônia fúnebre do Conselho Universitário da UFSC. Em resposta a essa mensagem, os agentes de repressão do Governo Temer realizaram no dia 6 de dezembro uma Operação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) intitulada “Esperança Equilibrista”, valendo-se dos mesmo métodos inconstitucionais e terroristas empregados na UFSC. Conforme já denunciado, esse nome representa uma retaliação contra os atos em solidariedade à UFSC e em protesto contra o terrorismo de Estado que levou a cabo a vida do reitor.

Aos 59 anos, no auge de sua gestão, o professor Cancellier foi levado ao suicídio pelos agentes do Estado de Exceção no dia 2 de outubro, após seu linchamento moral e prisão ilegal no Presídio de Florianópolis, em ala de alta segurança, onde ele e os outros seis membros da instituição receberam tratamento humilhante. Em quase 30 anos de universidade, nunca respondeu um processo, sequer em nível administrativo. No dia 14 de setembro, o reitor foi tirado da cama cedo, algemado nas mãos, acorrentado nos pés, preso e despido durante duas horas em frente aos outros presidiários e submetido a exame anal e penial vexatórios, conforme revelou em carta publicada no jornal O Globo três dias antes do suicídio. Na sequência, o dirigente máximo da UFSC foi proibido de se aproximar da universidade, na qual fez graduação, mestrado e doutorado e onde atuou como líder estudantil, diretor de centro e depois reitor .

Submetido a um terrível processo de exílio físico e moral, Cancellier recebeu informação do MPF de que não retornaria ao cargo, nem teria condições morais de voltar ao exercício em sala de aula. “Minha morte foi decretada no dia em que fui banido da universidade”, sentenciou o professor no bilhete encontrado junto ao seu cadáver no dia da tragédia. Sem fazer alardes, no dia 24 de outubro, a médica coordenadora do Ambulatório do Hospital Universitário de Saúde do Trabalhador, Edna Maria Niero, notificou o óbito do professor ao Ministério da Saúde como relacionado ao trabalho por assédio e sofrimento moral insuportáveis. Tipificado como Acidente do Trabalho, o suicídio de Cancellier ganhou um importante instrumento jurídico para responsabilizar o Estado Brasileiro pelos abusos de poder.

Mesmo depois da tragédia, grande parte da população ainda ignora as reais motivações dos agentes policiais e jurídicos contra as universidades e a inocência dos seus dirigentes. Isso porque o Estado de Exceção se vale de campanhas em suas páginas oficiais com adesão cúmplice da grande mídia. Essas campanhas têm como alvo principal os dirigentes máximos das instituições, cujo papel é defender a sua autonomia constitucional, mas também seus professores, servidores e estudantes. No caso da UFSC, a campanha difamatória promovida pela PF, que não só não admitiu os erros como continua a publicar em suas páginas oficiais informações já desmentidas pela própria Justiça Federal. Entidades corporativas da Polícia Federal continuam defendendo a “normalidade” do seu trabalho e ignorando a indignação generalizada no país contra as atrocidades e desrespeito aos direitos humanos que envolvem suas operações.

Como a grande mídia faz uma adesão passiva a essas campanhas, muitas pessoas ainda acreditam que o reitor cometeu suicídio porque tinha envolvimento com supostos desvios de verbas. Contudo, essa suspeita se refere a um processo de período anterior a sua gestão, no qual ele não é sequer citado. É tarefa de cada um de nós esclarecer essas pessoas e trazê-las para a luta, pois seus filhos também serão prejudicados com a perda do direito de acesso à universidade.

A ação de invasão militar à UFSC, a violação da sua autonomia e prisão ilegal do reitor e mais seis integrantes da universidade envolveu a Corregedoria da UFSC, a Superintendência Estadual da Corregedoria Geral da União, a Superintendência da Polícia Federal em Santa Catarina, o Ministério Público Federal e a Justiça Federal. Os mesmos agentes estão por trás da invasão militar à UFMG que estarreceram o país e suscitaram manifestações da comunidade científica internacional. No país todo, as forças democráticos exigem a punição dos culpados e a retomada do Estado de Direito.

Não importa a corrente política que o reitor ou sua equipe representam, não importa o seu credo religioso, nem as suas posições partidárias, esses ataques atingem toda a sociedade e precisam ter um fim já antes que ocorram novas tragédias. Por isso, o Coletivo Floripa Contra o Estado de Exceção, formado por pessoas amigas das comunidade universitária, que pertencem ou não aos quadros da UFSC convoca:

ATO: SUICÍDIO NUNCA MAIS. 
Não ao Abuso de Poder
Em resposta aos ataques às universidades e em defesa do Ensino Público para todos.

Apresentação: Teatro do Oprimido de Florianópolis
Dia: Quinta-feira, 14/12, (três meses da prisão ilegal do reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo)
ATENÇÃO: Mutirão de faixas e cartazes desde às 15 horas no Calçadão
Horário de início: 17 horas
Local: Esquina Democrática, Calçadão da Felipe Schmidt, Centro
Realização: Coletivo Floripa Contra o Estado de Exceção

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