Assembleia Legislativa ainda não convence sobre necessidade da compra do prédio de R$ 83 milhões

O prédio de R$ 83 milhões no centro da polêmica

Pense você que nos lê neste instante. Que negócio da China. Você tem um prédio em área nobre da Capital de SC, e de repente, eis que surge a oportunidade de venda, praticamente à vista. Apresenta o seu preço para concorrer, o valor módico para os tempos atuais de R$ 83 milhões. Preço de banana não é? Aí você ganha, porque o seu prédio cabe exatamente nos quesitos de qualificação da concorrência/licitação/compra. Melhor ainda: recebe quase 50% do valor já entre dezembro e janeiro. E vai receber o saldo em um ano, apenas.

Esta história é real e aconteceu em Florianópolis, uma negociação que envolveu a Assembleia Legislativa de SC que alegou precisar reduzir custeio e aumentar espaço de trabalho para seus servidores, centralizando atividades hoje espalhadas em quatro prédios alugados. Segundo o presidente da Assembleia, Silvio Dreveck, o valor pago anualmente chega a R$ 2 milhões. Fazendo contas básicas seriam necessários 40 anos de economia para a compra do novo prédio. No entanto ele será pago praticamente à vista, com dinheiro público.

Ontem, em coletiva com a imprensa para fazer um balanço da sua gestão frente à Assembleia, o deputado Silvio Dreveck falou muito, se expôs para os colegas presentes para tentar defender a iniciativa. Diz o ditado que quanto mais a gente fala, mais tem de explicar, é porque a coisa é complicada de entender. É isso que ocorre nesta negociação. Ainda não há justificativa plausível para a compra, ainda mais em tempos de economia em frangalhos, saúde quebrada, e alta tecnologia disponível para resolver as tais situações de espaço, disponibilização de documentos, etc.

Deputado vai propor CPI
Um deputado que compõe a mesa, Mário Marcondes (sem partido mas quase no MDB), afirma que não concorda com a compra do prédio, acha que foi tudo feito a poucas mãos e com pouca consulta aos deputados. Vai propor uma CPI para investigar o caso. Tem o Ministério Público também de olho na coisa, mas o MPSC também tem um telhado de vidro quando se trata de compra de prédio… vide a tal Casa Rosa, caso retumbante que ainda está obscuro.

Dreveck nega
Na coletiva, o deputado Silvio Dreveck (PP) negou que não tenha existido transparência nos atos. Colocou na conta dos líderes partidários a não comunicação aos seus liderados ao afirmar que todos sabiam e foram informados dos atos, e da decisão de compra. Dreveck, que disse querer disputar uma cadeira na Câmara Federal este ano, garantiu a lisura do processo por seguir rigorosamente a lei das licitações, e de ter criado uma comissão para tratar do tema. Vai dar pano prá manga tudo isso.

Balanço e saúde
Dreveck anuncio números de projetos discutidos e aprovados, citou dados de economia de recursos públicos com revisões de contratos (1 milhão), corte de gratificações sobrepostas (3 milhões/ano), os aluguéis dos prédios (2 milhões/ano), mas a pauta foram os R$ 83 milhões em um prédio para a Alesc. Mais que isso, segundo o TCE diz que o Governo do Estado deve R$ 1 bilhão para fornecedores e hospitais filantrópicos, e os deputados colocaram R$ 83 milhões em um ativo. Quer ativo mais importante que a saúde das pessoas?

Sesc/Senac
Ainda segundo Silvio Dreveck, há anos a Assembleia sonhava com o prédio ao lado, do Sesc/Senac, mas ele afirmou não haver como realizar a negociação devido ao valor do imóvel – R$ 25 milhões – e ao novo imóvel que o Sesc gostaria que ficaria em mais ou menos R$ 60 milhões. “Seria um ato de improbidade comprar algo assim com tal valor e trocar por um de menor valor”, afirmou. Teve gente nos corredores da Alesc que seria mais barato construir uma nova torre no terreno ao lado… huuummm!

Comecem os trabalhos
Após segurar no peito sozinho, pelo menos para a mídia, o caso do prédio, Silvio Dreveck (PP) passa hoje o comando do Legislativo para o emedebista Aldo Schneider, em sessão que promete. O governador Raimundo Colombo (PSD) vai fazer sua última fala no comando do Executivo, prestando contas e claro, jogando confetes em sua gestão, natural. Mais que as falas de deputados, vamos ouvir e ver os bastidores, estes sim dirão o que virá por aí para as eleições 2018.

Prognósticos

Cúpulas nacionais poderiam intervir em diretórios comandados hoje por Merisio e Mariani

Apostas são feitas no parlamento, à boca pequena, ao pé dos ouvidos de quem quiser ouvir. Uma delas: tanto Mauro Mariani (MDB) quando Gelson Merisio (PSD) ficarão fora da eleição, pois serão preteridos por seus partidários… No lugar deles entrariam em cena Eduardo Moreira/Udo Döhler, e talvez um João Rodrigues de vice… Como seria isso? Intervenções nacionais, dizem essas matracas assembleianas…

Horror à Amin no Senado
E teve mais. Segundo os falantes personagens na Assembleia, Raimundo Colombo morre de medo de enfrentar Esperidião Amin (PP) em uma disputa ao Senado, coisa que pode acontecer nesta coligação que Gelson Merisio monta com PSD, PP, PSB e sócios menores. Eis que aí o MDB pode ter um forte candidato ao Senado também, na chapa de Mauro Mariani. Um risco que o lageano, ao que parece, não quer correr de jeito nenhum. E pode contar com apoios no PSD e no MDB… faladores…

MDB no comando

Eduardo Moreira, com Aldo Schneider na Alesc, poderá dar aquela força ao candidato do MDB…

Eduardo Moreira está com todo o gás para pegar a caneta de Raimundo Colombo já a partir de 16 de fevereiro quando o Governador se licencia para um tal curso na Espanha. Com a Assembleia Legislativa nas mãos de outro emedebista, Aldo Schneider, o MDB volta a comandar os dois poderes após 31 anos. Não é pouco tempo, e é muito poder. Se o MDB está unido em torno de Mauro Mariani para o Governo, os atos de Moreira vão dizer muito sobre 2018.

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