As chamas do Sul

Faísca de desconfiança

Desde os casos do Hospital Materno Infantil Santa Catarina, que sofreu dois incêndios, passando pelo fogo no Colégio Lapagesse, passando pelos dois da sede da prefeitura até o incêndio de ontem no Centro Cultural Jorge Zanatta, espalham-se dúvidas e desconfianças. Em Criciúma como em Roma as dúvidas sobre a autoria inquietam: criminosos ou acidentais. A conclusão policial é diversa. Mesmo que no caso do Hospital Materno Infantil Santa Catarina tenha sido identificado um casal de funcionários que teria sido autor, há quem nunca engoliu a teoria, principalmente porque sobre eles pouco foi noticiado. No Colégio Lapagesse e na prefeitura, onde a perícia concluiu por causas acidentais – curto circuito – a crença popular jura duvidar da conclusão técnica. Desta vez – Centro Cultural –não havia sequer energia no prédio.

Conclusão

O governo de Criciúma assegura que o fogo de ontem nada afeta o programa de reconstrução do telhado do Centro Cultural Jorge Zanatta, o que afasta, por exemplo, qualquer consequência que pudesse facilitar ou prejudicar o processo de restauração. Como se nada tivesse ocorrido, nos próximos dias será  definida a empresa que fará  a obra estimada em R$ 500 mil. 

Conservação

Teoricamente o prédio do Centro Cultural Jorge Zanatta chegou ao atual estágio de conservação – precário – devido a burocracia. O prédio é da União, mas utilizado pela prefeitura, que por não ser dona pouco pôde investir na manutenção. Esta situação burocrática só foi revisado a poucos dias pelo atual governo.

Solução rápida

A decisão foi política, mas importante que existe solução ao risco de o Sul do Estado ficar sem o serviço do helicóptero que tem base em Criciúma e atende Segurança e Saúde. O vice-governador Eduardo Moreira prometeu pessoalmente resolver o problema. Caso contrário o serviço seria cancelado, por falta de verba, antes do fim do mês.

Mobilização

Desde a reunião que a bancada de deputados estaduais, quarta-feira da semana passada no gabinete do deputado Cleiton Salvaro, até o anúncio de que o problema da falta de verbas será resolvido, decorreram poucas horas. É natural que a solução tem a ver com aquela máxima da presença de uma autoridade como o vice-governador no poder de decisão, mas não se pode desconsiderar que a bancada de deputados do Sul agiu rápido.

Ter a força

No mesmo dia da reunião dos deputados, o deputado Cleiton Salvaro ouviu, por telefone, do próprio vice-governador Eduardo Moreira – que estava em São Paulo, que o problema seria resolvido. Como presidente da comissão parlamentar do sul e naquele momento porta-voz do grupo recebeu a garantia verbal à solução. Moreira buscou a solução do problema para sí. Dias antes ele tinha anunciado o início do serviço. É a velha conclusão de que é muito importante ter força política.

Acampamento

Os prefeitos, especialmente do Sul, devem “acampar”, entre hoje e quarta-feira, na capital do Estado. Percorrem órgãos do Legislativo e Judiciário na tentativa de assegurar aprovação de uma lei que destine valores do fundo do judiciário para as prefeituras pagarem os seus precatórios. Para Criciúma, por exemplo, isso significa em média de R$ 1 milhão a mais no caixa todos os meses.

Vereador ou Secretário

Na semana passada a proposta para aprovar na Câmara Municipal uma lei que acaba com a possibilidade de vereador eleito assumir cargo no Executivo tinha ampla maioria entre a atual bancada legislativa. A julgar por contatos feito pela coluna no fim de semana, ainda existe maioria, mas ela diminuiu e a dúvida começou a rondar a cabeça de alguns vereadores. E não é só porque a assessoria jurídica da casa já alertou que a iniciativa é inconstitucional. Tem tudo a ver com o fato de que aparentemente o mais atingido é hoje o homem forte da administração, Arleu da Silveira. Particularmente ele tem melhor relacionamento com os vereadores do que qualquer outro, incluindo o prefeito. O assunto vai à pauta da Câmara de Vereadores hoje.

DECISÃO Se Arleu da Silveira tiver que optar entre a Câmara – foi o mais votado – e o Executivo, ele pode ficar numa condição delicada, pois a pressão seria para ele optar pela prefeitura, para isso teria que abrir mão da representação de 3.341 eleitores.

DOIS PESOS Chama atenção o fato da proposta que proíbe vereador eleito assumir no Executivo ter partido de um vereador do PMDB, justo a sigla cujos dois deputados do Sul do Estado hoje estarem no Legislativo do Estado.

TÁ FORA Na semana passada o MUTUC, que é o Movimento dos Usuários do Transporte Urbano de Criciúma, foi excluído, por votação dos demais membros, do Conselho Municipal dos Transportes. Só uma instituição – os Bairros –  se absteve na votação.

FORÇA O MUTUC sabidamente é controlado pelos sindicatos de trabalhadores e sempre teve forte influência no Conselho Municipal de Transportes. Era a voz mais forte no conselho.

ALERTAA exclusão do MUTUC do Conselho Municipal dos Transportes é apenas um dos casos da fragilização dos conselhos municipais. Observe-se os demais conselhos e se verá instituições desmontadas.

FORQUILHINHA O deputado federal Ronaldo Benedet entrega hoje emenda de R$ 250 para a prefeitura de Forquilhinha. O recurso que já está empenhado será investido em pavimentação da rodovia Vicente Langer no bairro Santa Rosa.

CASAN A comunidade da Vila Selinger entrega hoje às 7h30min ao prefeito Clésio Salvaro a lista de reivindicações de contrapartidas para aceitar a construção da Estação de Tratamento de Esgoto naquela região. Esta lista será levada amanhã, pelo prefeito, ao presidente da Casan, Valter Galina.

CATEDRAL Na quarta-feira a Câmara de Vereadores de Criciúma, por proposição do vereador Julio Cezar Colombo, realizará a Sessão Especial em homenagem ao Centenário da Igreja São José. O evento terá início às 19h, no Auditório da Paróquia São José.

FRASE DO DIA

“A língua é o chicote…”

Frase da sabedoria popular que parece adaptar-se ao caso do dono da JBS, que acabou preso por falar demais.

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